- Pesquisa da Embrapa Agroindústria de Alimentos, no Rio de Janeiro, avaliou como estratégias de comunicação afetam a intenção de compra de produtos à base de insetos.
- A combinação de informações claras, linguagem acessível e estímulos visuais ajuda a reduzir a neofobia e aumenta a familiaridade com o produto.
- Em dois experimentos com biscoitos feitos com farinha de insetos, textos e imagens aliados elevaram a intenção de compra.
- Mensagens voltadas à saúde ampliaram a disposição de compra e fizeram os consumidores perceberem os biscoitos como mais sustentáveis.
- Os resultados podem subsidiar políticas públicas e orientar estratégias de mercado, incluindo rotulagem, higiene e comunicação para ampliar a confiança do consumidor.
A Embrapa Agroindústria de Alimentos, no Rio de Janeiro, avaliou como diferentes estratégias de comunicação afetam a intenção de compra de produtos à base de insetos. O estudo mostrou que a rejeição inicial pode diminuir com informações claras, linguagem acessível e estímulos visuais que gerem familiaridade. A pesquisa foi publicada no Journal of Sensory Studies.
A investigação confirmou que a neofobia alimentar, o receio de consumir algo novo, pode ser neutralizada quando há dados sobre benefícios nutricionais, atributos sensoriais positivos e impactos ambientais aliados a imagens que transmitam segurança.
Experimentos e resultados
No primeiro experimento, voluntários avaliaram biscoitos com farinha de insetos, expostos a mensagens e imagens diferentes. A combinação desses elementos elevou significativamente a intenção de compra, indicando que a familiaridade facilita a aceitação.
No segundo estudo, pesquisadores compararam mensagens focadas em saúde e em hedônicos (sabor, textura). Em ambos os casos, a presença de informações de saúde aumentou a disposição de compra e associou o produto a sustentabilidade.
Contexto de mercado e alimentação
Dados do IBGE indicam consumo diário médio de biscoitos doces e salgados, o que sugere potencial de entrada para snacks à base de insetos. Globalmente, aproximadamente metade dos alimentos com insetos é classificada como snack, o que aponta para caminhos de mercado.
Implicações regulatórias e estratégicas
Os resultados podem subsidiar o Ministério da Agricultura na elaboração de normas para alimentos à base de insetos, cobrindo produção, higiene, rotulagem e comunicação. A combinação entre técnica, confiança e clareza de informações surge como elemento-chave.
Perspectivas de comunicação e consumo
Especialistas ressaltam que campanhas educativas, degustações e mensagens equilibradas entre prazer sensorial e benefícios funcionais podem reduzir barreiras culturais. A percepção de risco diminui quando há informações consistentes e visuais que inspiram confiança.
Conclusão provisória
A pesquisa aponta que a transição para novas fontes de proteína depende mais da comunicação eficaz do que apenas de avanços tecnológicos. A aceitação no Brasil depende de como risco, novidade e valor são apresentados ao consumidor.
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