- Durante a década de 1960, no Caribe, o cientista John Lilly criou a Dolphin House para estudar comunicação entre humanos e golfinhos, com o objetivo de ensinar inglês aos animais.
- Em 1963 o laboratório foi inaugurado; Margaret Howe Lovatt, moradora local, passou a viver dentro do aquário para intensificar o contato com Peter, um dos golfinhos.
- Lovatt permaneceu com Peter quase que integralmente durante seis dias por semana, tentando fazê-lo repetir sons e palavras.
- Surgiram controvérsias quando Peter apresentou comportamentos sexuais com Lovatt, levando a ajustes no experimento e à observação pública subsequente.
- O projeto foi encerrado no fim dos anos 1960; Peter foi transferido para um laboratório em Miami, onde acabou morrendo semanas depois, e Lilly continuou pesquisando formas de comunicação com golfinhos sem alcançar a fala humana.
O experimento da Dolphin House, na década de 1960, ficou marcado pela tentativa de ensinar golfinhos a falar inglês. Localizado no Caribe, o laboratório contava com o cientista americano Dr. John Lilly e três cetáceos: Peter, Pamela e Sissy. A meta era investigar a comunicação entre humanos e golfinhos, abrindo a possibilidade de intercâmbio de idiomas.
O projeto começou com a ideia de Lilly de mapear o córtex dos golfinhos para entender a comunicação. A motivação ganhou fôlego após a esposa do pesquisador, Mary, ter visto golfinhos imitarem sons humanos. O laboratório abriu em 1963, com mudanças na linha de pesquisa ao longo do tempo.
A ideia
Margaret Howe Lovatt, moradora de Massachusetts, aproximou-se do projeto e passou a frequentar o laboratório mesmo sem formação científica formal. Ela acabou por dedicar mais tempo aos golfinhos, em especial a Peter, com a proposta de viver dentro do aquário para criar vínculos mais fortes.
Lovatt decidiu morar no interior do espaço, em uma plataforma elevada, para observar os animais 24 horas por dia. Ela propôs impermeabilizar parte do prédio para que Peter pudesse circular livremente entre setores, mantendo as aulas de inglês dois dias por semana. A ideia era intensificar a convivência com o cetáceo.
Durante as sessões, Peter mostrou curiosidade pela anatomia de Lovatt. O arranjo exigiu que Lovatt permanecesse no local por longos períodos, com Peter interagindo com as outras fêmeas nos dias de descanso. A dinâmica, porém, ficou marcada pela convivência prolongada entre humana e animal.
Polêmica
Logo surgiram dificuldades técnicas e éticas. Peter apresentou impulsos sexuais durante as sessões, o que levou a uma solução inicial de transferi-lo para o tanque com as fêmeas. O manejo, porém, atrapalhava o andamento das lições de inglês, levando Lovatt a manter o convívio de forma contínua.
Margaret descreveu o episódio como parte do estudo, sem intenções sexuais de sua parte. A repercussão pública, anos depois, veio com uma matéria sensacionalista na revista Hustler, associando indiscretamente o caso à sexualidade entre homem e animal. Ela considerou a cobertura desconfortável, mas não mudou o trabalho.
O fim
O projeto não atingiu o objetivo de ensinar inglês aos golfinhos. O interesse governamental em financiar a pesquisa diminuiu, em meio a outra linha de estudo com a droga LSD. Ao fim de três meses, a Dolphin House foi descontinuada e os golfinhos realocados.
Peter acabou transferido para um laboratório em Miami, onde faleceu semanas depois. A respiração consciente dos golfinhos, que pode ser interrompida pela depressão, foi citada como possível explicação para o desfecho trágico. Lovatt seguiu com a vida, posteriormente casando-se e reforçando a Dolphin House.
John Lilly encerrou as tentativas de ensino do inglês, mantendo pesquisas sobre formas de comunicação com golfinhos. Embora tenha explorado possibilidades como telepatia e música, nenhuma estratégia permitiu conversar com as criaturas.
Entre na conversa da comunidade