- Em 2022, estudo publicou que, ao morrer, o cérebro pode ativar oscilações gama, faixa associada à memória, possivelmente repetindo lembranças antes da passagem.
- O achado foi observado pela primeira vez em um paciente de 87 anos durante um ataque cardíaco, enquanto era monitorado por EEG.
- O estudo reconhece que é apenas um caso isolado e não permite conclusões generalizadas.
- Em 2023, outro estudo com quatro pacientes mostrou que, em dois deles, houve atividade gama acentuada após falta de oxigênio causada pela interrupção de ventilação.
- Também em 2023, uma equipe revisou diversos trabalhos e constatou que o cérebro pode manter atividade elétrica coordenada após a cessação da circulação, sugerindo que o cérebro ainda pode estar ativo durante o processo de morte.
Um estudo recente analisa o que ocorre no cérebro no momento da morte, sugerindo que certas memórias podem se ativar nesse instante. A pesquisa aponta para oscilações de ondas cerebrais do tipo gama, associadas à recuperação de memória.
A investigação foi publicada em 2022 no periódico Frontiers in Aging Neuroscience. A equipe liderada pelo Dr. Ajmal Zemmar, da Universidade de Louisville, observou mudanças nas ondas cerebrais de um paciente de 87 anos durante um ataque cardíaco.
O paciente participava de exames de EEG, com sensores na cabeça. Durante um desses procedimentos, ele faleceu, permitindo aos pesquisadores gravar pela primeira vez a atividade cerebral de alguém em processo de morte. As oscilações gama foram detectadas nesse momento.
Limitações da evidência
Os autores destacam que o estudo se baseia em um único caso. Hemorragia, convulsões e inchaço cerebral podem influenciar os resultados, tornando difícil extrapolar as conclusões para outros pacientes.
Sequência de pesquisas e desdobramentos
Em 2023, uma segunda investigação analisou quatro pacientes que morreram durante monitoramento e identificou atividade gama acentuada após a interrupção da ventilação. Em dois casos houve elevação dessa frequência de ondas.
Outra linha de estudo, também de 2023, revisou pesquisas anteriores. Foram avaliados principalmente experimentos com animais para entender a atividade elétrica do cérebro na morte, incluindo a cessação da circulação.
O que se sabe até agora
Os resultados sugerem que o cérebro pode manter atividade elétrica coordenada após a parada cardíaca. Observam-se, em modelos experimentais, surtos de ondas de alta frequência logo após a cessação do fluxo sanguíneo.
Perspectivas
Especialistas apontam que ainda não é possível ligar diretamente essas leituras a experiências subjetivas de quase morte. Ainda assim, as evidências indicam que o cérebro pode permanecer ativo durante o processo de morte, o que inspira novas pesquisas sobre memória e consciência.
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