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Mensagens vikings desenterradas em pedras rúnicas na Suécia

Pedras rúnicas suecas revelam mensagens de amor e luto de mil anos, destacando a riqueza histórica e os enigmas das inscrições vikings

Matilda Welin A triangular shaped stone covered in carvings including runic writing in a field (Credit: Matilda Welin)
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  • Em Suécia, uma pedra de runas foi encontrada em um campo por um fazendeiro; o especialista Magnus Källström leu em voz alta a mensagem gravada há cerca de mil anos, em memória de Sigdjärv, marido de Ögärd, com a indicação de quem a ergueu.
  • Runas foram usadas há cerca de dois milênios na região, com auge durante a Era Viking (800–1050 d.C.), e já foram encontradas em diversos locais, incluindo Dinamarca, Islândia, Reino Unido e até territórios distantes.
  • As pedras eram erguidas como memoriais visíveis, marcando, às vezes, fronteiras ou direitos de herança, além de conterem referências à fé cristã e orações pelos mortos.
  • A Pedra de Rök, de cerca do século IX, abriga o maior texto rúnico conhecido; interpretações recentes sugerem que o texto aborda a dependência do clima, o que gerou debates entre estudiosos.
  • Além de registrar vidas, mortes e conflitos, as runas também eram usadas de forma lúdica, como em ossos gravados para treinos ou enigmas, e hoje aparecem em arte, jogos e Cultura Popular, apesar de terem sido exploradas de forma inadequada por correntes extremistas no passado.

A descoberta de inscrições rúnicas da Era Viking continua a intrigar pesquisadores na Suécia, mil anos após terem sido gravadas. Uma pedr a encontrada por um fazendeiro ganhou atenção ao ser lida em voz alta por Magnus Källström, especialista em runas, revelando uma mensagem de lembrança entre gerações.

Källström reuniu moradores da fazenda e arqueólogos locais quando examinou a pedra, que o dono do campo pretendia usar como soleira. A leitura revelou, palavra a palavra, uma dedicatória a Sigdjärv pelo pai Ögärd, numa lenga de memória que atravessa o tempo.

Essa não é uma coincidência isolada: pedras rúnicas aparecem com frequência pela atual Suécia e por outros países nórdicos, surgindo em campos, rotatórias e plantações. Em 2023, Noruega trouxe à tona uma pedra com até 2 mil anos de idade, destacando a longevidade desses artefatos.

As runas foram usadas para registrar falecimentos, feitos de vida e desejos para o além. Elas também serviam como sinalizações de fronteiras, formas de herança antiga e, em alguns casos, relatos de batalhas. A leitura de cada pedra depende do estilo do artisan, reconhecido pela assinatura visual do gravador.

Especialistas explicam que as ferramentas de gravação variavam de madeira a pedra, muitas vezes com o apoio de artesãos profissionais, especialmente na transição entre paganismo e cristianismo. Além de mensagens sérias, as runas promoviam brincadeiras, enigmas e jogadas com estruturas de leitura invertida.

Entre os exemplos históricos, destacam-se inscrições que mencionam viagens vikings, amores, perdas e rostos da vida cotidiana. Ampliando o quadro, as pedras tornam-se testemunhas de redes de comércio, conectando o norte da Europa a comunidades distantes, inclusive com referências a práticas de fé e ao além.

O caso do famoso 9º século, Rök, é citado pelos estudiosos como um dos textos rúnicos mais discutidos. Originalmente visto como uma história ligada a nobres, hoje muitos veem nele referências a mudanças climáticas e a uma expectativa de socorro em tempos de seca, o que reacende debates sobre leitura histórica versus leitura atual.

O pesquisador Henrik Williams observa que a interpretação pode refletir marcos de época, como nacionalismo ou preocupações climáticas modernas. Ainda assim, o consenso é de que as inscrições se prestam a múltiplas leituras, dependendo do contexto e das ferramentas analíticas disponíveis.

Ao percorrer o interior sueco, o autor desta matéria viu várias pedras, algumas pouco visíveis na vegetação ao lado de parques eólicas. Em cena recente, uma pedra encontrada por fazendeiro permanece erguida, protegida por moldura de concreto, trazendo à tona novamente a mensagem lida após quase 1.000 anos.

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