- A UK Research and Innovation anunciou cortes em física, com bolsas reduzidas em quase um terço e líderes de projetos pedindo avaliação sobre impactos de cortes de até sessenta por cento.
- Quatro grandes projetos de infraestrutura foram adiados para economizar mais de £250 milhões, incluindo atualização de detector no Large Hadron Collider e um collisador elétron‑íon em desenvolvimento com pesquisadores dos EUA.
- A gestão afirma que vai “fazer menos coisas melhor” e priorizar pesquisa aplicada em vez de ciência fundamental.
- Mais de quinhentos pesquisadores em início de carreira assinam carta dizendo que a combinação de incerteza, atrasos e reorientação pode levar à perda de uma geração no ecossistema de pesquisa e indústria do Reino Unido.
- Pesquisadores relatam saída para o exterior devido a oportunidades mais estáveis, com temores de impacto de longo prazo no ensino e na atratividade de vagas no país.
Hundreds de pesquisadores em início de carreira alertaram que o Reino Unido está prestes a perder uma geração de cientistas após anúncios de cortes significativos em projetos de física e em instalações de pesquisa de ponta. As medidas afetam áreas como física de partículas, astronomia e física nuclear, com reduções que chegam a quase um terço em algumas bolsas.
A agência britânica de fomento à pesquisa, UK Research and Innovation (UKRI), informou que revisará os financiamentos para avaliar impactos, com cortes de até 60% em alguns projetos. Paralelamente, quatro grandes projetos de infraestrutura foram adiados para economizar mais de £ 250 milhões.
Mudança de foco e impacto imediato
A decisão acompanha a orientação de fazer menos coisas, mas com maior qualidade, priorizando pesquisas aplicadas em detrimento de ciências fundamentais. A STFC, braço da UKRI, financia física e instalações como o Diamond Light Source.
Voluntariamente, cientistas de timos de carreira relatam dificuldade de manter posições no Reino Unido diante da instabilidade. Pesquisadores de Durham e King’s College London já buscaram oportunidades no exterior, citando opções mais estáveis e viáveis em outros países.
Desdobramentos para pesquisadores e instituições
Entre os cientistas que indicam saída, há relatos de contratos que podem terminar em setembro e planos de mudar de país para continuar a atuar na área. O receio é que governos locais atraiam talentos com bolsas competitivas, dificultando a formação de uma base sólida no UK.
Catherine Heymans, astrônoma real da Escócia, comentou que o atraso de investimentos coincide com o momento de início de operações de grandes observatórios no exterior, o que pode ampliar a distância entre o país e frentes de pesquisa internacionais.
Contexto financeiro e respostas
A UKRI tem quase £ 9 bilhões para distribuir neste ano entre áreas de ciências físicas, engenharia, ciências biológicas e médicas. A agência afirma buscar equilíbrio entre custos de facilities nacionais e adesão a grandes projetos internacionais, como CERN e ESA, diante de custos crescentes.
Outra pesquisadora de King’s College London indicou que contratos de curiosidade científica podem não encontrar espaço de financiamento nacional, levando a deslocamentos de talentos para outras nações.
Reação da comunidade científica
Especialistas alertam para a possibilidade de quatro décadas de pesquisa enfrentarem retrocessos se faltarem investimento e apoio estável. O presidente da Royal Astronomical Society pediu intervenção governamental para evitar impactos graves na ciência.
Em resposta, Ian Chapman, chefe executivos da UKRI, defendeu que escolhas orçamentárias são necessárias para manter a competitividade internacional, mesmo que algumas áreas recebam menos apoio a curto prazo.
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