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Corais-de-fogo exclusivos do Brasil enfrentam extinção silenciosa

Corais-de-fogo endêmicos do Brasil vivem extinção silenciosa; Millepora braziliensis registra branqueamento total, ameaçando biodiversidade marinha e atividades humanas

Fotografia de um Colônia de Millepora nitida em Recife de Fora, sul da Bahia, parcialmente branqueada após onda de calor de 2023.
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  • Pesquisa publicada na revista Coral Reefs mostra que os corais-de-fogo brasileiros estão em extinção silenciosa devido ao branqueamento causado pelo aquecimento dos oceanos.
  • O estudo acompanha quatro espécies de Millepora no Brasil, três delas endêmicas, desde 2019 em diferentes localidades.
  • Millepora braziliensis, na Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais, Tamandaré (PE), apresentou branqueamento de 100% e perdeu toda a cobertura viva; é classificada como criticamente ameaçada pelo ICMBio.
  • Millepora nitida, em Porto Seguro (BA), registrou branqueamento de 40%; Millepora alcicornis é mais abundante e já era acompanhada; Millepora laboreli tem dados limitados devido ao acesso remoto ao Parcel do Manuel Luís, no Maranhão.
  • Especialistas indicam que novas ondas de branqueamento devem aumentar o risco de extinção dessas espécies, reforçando a necessidade de frear o aquecimento global, conservar recifes e pesquisar restauração.

A pesquisa inédita mostra que os corais-de-fogo brasileiros estão em risco de extinção silenciosa. O branqueamento, efeito do aquecimento global, leva à perda de zooxantelas, as algas que fornecem alimento aos corais. Sem elas, as esculturas de Millepora ficam alvas e frágeis.

O estudo acompanha desde 2019 quatro espécies de Millepora no Brasil, três endêmicas. O monitoramento aponta que o branqueamento avança de forma desigual entre as espécies e locais, com consequências ainda desconhecidas para a biodiversidade local.

Dados-chave da pesquisa

Em Tamandaré (PE), a Millepora braziliensis apresentou branqueamento de 100% na Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais, com perda total de cobertura viva. O ICMBio classifica essa espécie como criticamente ameaçada de extinção.

Em Porto Seguro (BA), a Millepora nitida, também endêmica, registrou 40% de branqueamento. O quadro indica vulnerabilidade crescente nessa região.

A Millepora alcicornis, presente tanto no Caribe quanto no Brasil, manteve-se mais abundante, acompanhada por estudos anteriores, sugerindo maior resistência inicial frente ao branqueamento.

A Millepora laboreli tem cenário menos claro. Disponível apenas no Parcel do Manuel Luís, no Maranhão, o acesso dificulta estudos profundos. Em 2022, havia poucas colônias; não há dados suficientes para confirmar piora recente.

Perspectivas e impactos

Segundo os pesquisadores, novas ondas de branqueamento podem empurrar estas espécies para a extinção. Os corais-de-fogo ajudam a aumentar a biodiversidade dos recifes e servem de abrigo para outras espécies.

A solução envolve reduzir o aquecimento global e implementar políticas públicas de conservação de recifes, além de pesquisas sobre restauração de habitats. Os resultados ressaltam a necessidade de ações rápidas e coordenadas.

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