- Em Viena, o uso de fungos para extrair terras raras de um clay specially preparado é estudado como possível método de mineração chamado “mycomining”.
- O fungo cresce em placas e sacos plásticos, buscando nutrientes e, potencialmente, as terras raras presentes no material.
- As terras raras são 17 elementos usados em baterias, ímãs e energia renovável; atualmente, a China domina a mineração e o processamento.
- Pesquisadores admitem que a ideia pode ser apenas suplementar, com concentração de alguns elementos no resíduo ser menor do que em outras fontes; ainda há riscos ambientais a considerar.
- Além da biorecuperação, outras estratégias incluem extrair terras raras de resíduos industriais, como cinzas de carvão e red mud, com processos que consomem menos energia que a mineração tradicional.
O que está sendo feito: em um laboratório da Universidade de Viena, dois cientistas cultivam fungos em meios com lama especial enriquecida com terras raras para verificar se o micélio pode extrair esses elementos. A pesquisa visa uma alternativa à mineração tradicional.
Quem está envolvido: os pesquisadores são Alexander Bismarck, líder do grupo de engenharia de polímeros e compósitos, e Mitchell Jones, cientista de materiais. Eles descrevem o conceito de “mycomining” em trabalhos publicados em 2024.
Quando e onde: o experimento ocorre na Universidade de Viena, na Áustria, com fungos Aspergillus em placas de cultura. A equipe observa o crescimento do fungo ao longo de semanas, buscando entender a viabilidade do método.
Por que é relevante: terras raras são cruciais para baterias, ímãs e dispositivos de energia renovável, mas hoje dependem muito da mineração e processamento na China. Estudos recentes avaliam alternativas para reduzir dependência externa.
Abordagens e desafios
Pesquisas ao redor do mundo exploram métodos como bioremediação e recuperação de minerais de resíduos industriais, incluindo grandes pilhas de resíduos. Fósseis, minas abandonadas e rejeitos podem concentrar terras raras, segundo estudos e especialistas.
Outra linha envolve técnicas como o aquecimento rápido com jatos de energia (flash joule heating) para extrair terras raras de resíduos de carvão, bauxita e outros rejeitos. A proposta é usar menos energia e equipamentos portáteis, mas a separação entre elementos semelhantes ainda é um desafio técnico.
Há também iniciativas privadas, como a ElementsUSA, que planeja extrair elementos como galho e escândio de rejeitos, com projetos piloto previstos para 2028 e operação plena em 2029-2030. Detalhes operacionais permanecem proprietários.
Perspectivas e considerações
Especialistas destacam que, mesmo com avanços, a viabilidade econômica depende de custos de extração, processamento e separação dos elementos, além de impactos ambientais de grandes áreas de cultivo de fungos. Algoritmos de convivência entre biossistemas e ecossistemas locais são discutidos.
O interesse é ampliar fontes domésticas de terras raras, reduzindo dependência externa e contribuindo para a remediação de áreas contaminadas. Pesquisas destacam que o caminho envolve etapas complementares, com possíveis aplicações em biogás e fertilização de áreas degradadas.
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