- Fêmeas da felina-Felis nigripes dependem fortemente de tocas cavadas pelos springhares para criar os filhotes, utilizando, em média, 12 abrigos diferentes ao longo de 138 dias de estudo.
- As áreas de atuação variam conforme a fêmea: de 10 a 80 km² para elas e de 15 a 90 km² para os machos, conforme a disponibilidade de presas.
- Durante o dia, as gatas se recolhem em tocas e trocam de abrigo quase diariamente, especialmente após os filhotes começarem a se mover, por volta de seis a sete semanas.
- O estudo, liderado por Harold Brindley, mostrou que as tocas de springhares criam uma rede subterrânea de refúgio que também auxilia outras espécies, embora as fêmeas cat ainda prefiram usar abrigos próximos ao nascer do dia.
- A sobrevivência depende da cooperação com comunidades rurais, já que a população é pequena (cerca de 10 mil indivíduos), a reprodução é lenta (até dois filhotes por ano) e há riscos como a doença renal AA amiloidose.
A luz do dia não é ali bem-vista para o felino menor da África. Na Namíbia do sul, a furta-presa negra de Felis nigripes perambula entre gramíneas em caça a roedores, aves e insetos. Ao anoitecer, o animal se move quase sem ser visto.
Com peso entre 1 e 2,5 kg, o bobageiro é cerca de um terço do tamanho de um gato doméstico. Seu pelo dourado salpicado de manchas facilita o camuflar na paisagem ao redor, e, durante o dia, ele se esconde em tocas abandonadas.
Os machos e fêmeas ocupam territórios amplos, variando de 10 a 90 km² conforme a disponibilidade de presas. A letacidade do comportamento noturno intriga pesquisadores, que acompanham a espécie em âmbito internacional.
Pesquisa recente, dedicada à atividade diurna, revela forte dependência de tocas escavadas por pedetes, grandes roedores. As gatas, ao terem filhotes, movem-se com frequência entre diversos abrigos para reduzir predadores e rastros.
As mães trocam de toca quase diariamente quando os filhotes começam a se deslocar, em media de duas noites de permanência por toca. O movimento rápido ajuda a reduzir o risco de ataque de jackais e caracais.
O estudo, liderado por Harold Brindley da Institute for Communities and Wildlife in Africa, usou quatro fêmeas com colares de rádio e mais de 50 tocas mapeadas com tecnologia LiDAR. Em 138 dias, cada gata utilizou cerca de 12 abrigos diferentes.
Durante a fase de amamentação, os filhotes ficam sob a mãe por mais tempo, depois passam a acompanhar a mãe à noite, com mudanças de abrigo quase diárias. A rotação também depende da densidade de predadores locais.
Além de proteger os gatos, as tocas subsidiam uma rede de abrigo para várias espécies. Pedetes constroem tocas que permanecem ativas entre secas e variações de temperatura, beneficiando outras presas e moradores do ecossistema.
Brindley aponta que nem todas as tocas são utilizadas por felinos; alguns abrigos maiores, escavados por anteaters ou esquilos terrestres, não são frequentados pelos gatos machos. A dependência de pedetes é, no entanto, clara no estudo.
A população de Felis nigripes é estimada em cerca de 10 mil indivíduos e possui baixa taxa reprodutiva, com no máximo dois filhotes por ano. Questões de saúde, como AA amyloidosis, fragilizam o conjunto populacional.
A conservação envolve não apenas ciência, mas a relação com agricultores locais, já que grande parte da área de atuação fica em propriedades privadas. Práticas de manejo de predadores e uso do solo influenciam a disponibilidade de tocas.
Sliwa ressalta que proteger o gato requer cooperação com quem compartilha o habitat, evitando práticas que destruam tocas ou aumentem a pressão de caça aos predadores. A cooperação com proprietários rurais é essencial para a sobrevivência.
Se um dia a espécie se perder das tocas de pedetes, Brindley observa que a vulnerabilidade aumentaria consideravelmente. O estudo reforça que o felino depende de uma teia ecológica complexa para se manter vivo.
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