- Cidadãos cientistas rediscoveram a mariposa esmeralda Drepanogynis insciata na África do Sul, após quase 147 anos sem registros.
- A espécie, considerada extinta desde cerca de 1875, era conhecida apenas por dois exemplares machos mantidos no Museu de História Natural de Londres.
- Entre 2020 e 2023, foram registradas doze avistagens em quatro locais, com as primeiras fotos de indivíduos vivos enviadas ao site iNaturalist.
- Os pesquisadores Hermann Staude e Pasi Sihvonen elogiaram a contribuição dos curiosos e apontaram que as fotos ajudaram a comprovar a existência da mariposa.
- O próximo passo é realizar levantamentos para identificar a planta hospedeira das larvas e entender melhor o habitat que sustenta a espécie.
Drepanogynis insciata, uma mariposa de tom esmeralda, foi redescoberta na África do Sul por observadores amadores que divulgaram fotos online. A espécie, considerada extinta, não tinha registro desde 1875, quando dois machos foram coletados perto de Swellendam, na Western Cape. Hoje, registros de vida foram compartilhados por meio de iNaturalist.
A redescoberta começou em 2020, quando Cameron Scott fotografou a mariposa no Gondwana Private Game Reserve, a cerca de 160 quilômetros a oeste de Swellendam. A imagem chamou a atenção de lepidopteristas, levando à captura de um exemplar para análise científica.
Primeiro contato com vida e análises
O exemplar foi entregue a Hermann Staude, que solicitou a captura de novos indivíduos para estudo. O material foi enviado a Pasi Sihvonen, do Finnish Museum of Natural History, que comparou com os holotipos existentes e confirmou a identidade da espécie. Observou-se que os museus tinham apenas amostras antigas com cor já desbotada.
Até o momento, apenas machos foram observados em quatro ocasiões. Machos costumam ser mais ativos e atraídos pela luz, o que facilita o registro. A espécie possivelmente tem apenas duas broods por ano e uma janela de atividade muito curta.
Onde e por que é relevante
Entre 2020 e 2023, doze avistamentos foram registrados em quatro locais distintos. As novas fotos foram carregadas no iNaturalist, fortalecendo a evidência da sobrevivência da espécie. As ocorrências estão concentradas próximo a Swellendam, indicando uma possível redução de habitats adequados na região.
Um grupo de pesquisadores vê na redescoberta uma oportunidade para entender a ecologia de D. insciata, incluindo a planta hospedeira das larvas. Identificar esse alimento é crucial para orientar ações de conservação do renosterveld e do fynbos, biomas onde a espécie é encontrada.
Conservação e próximos passos
Conservacionistas destacam que a participação de cidadãos ajuda a ampliar o conhecimento sobre espécies raras. Odette Curtis-Scott, da Overberg Renosterveld Trust, lembra que a proteção de habitats mais visíveis pode beneficiar também espécies menos habituais.
Os próximos passos envolvem levantamentos mais amplos para confirmar a planta hospedeira das larvas e compreender melhor o ciclo de vida de D. insciata. O alcance de pesquisas deve considerar a variabilidade do ecossistema renosterveld, ameaçado pela degradação humana.
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