- Toby Kiers, bióloga evolucionária e cofundadora da SPUN, foca em redes fúngicas subterrâneas, fundamentais para ecossistemas e para o sequestro de carbono.
- Fungos micorrízicos formam troca de nutrientes com as plantas, enviando fósforo, nitrogênio e água para as plantas em troca de carbono; pesquisas estimam que mais de 13 bilhões de toneladas métricas de carbono vão para essas redes.
- A distribuição de recursos entre fungos e plantas funciona como um sistema de barganha, com fungos decidindo onde alocar nutrientes com base no retorno de carbono.
- Tecnologias usadas incluem sensoriamento remoto, sequenciamento de fungos, robótica de imagem e marcação de carbono e fósforo com quantum dots para entender fluxos e padrões de trade.
- Em 2026, a SPUN lançou o programa Underground Advocates e já financia 137 exploradores globais para mapear redes micorrízicas, buscando transformar dados em ações legais para conservação e clima.
A pesquisadora Toby Kiers está à frente da SPUN, organização que mapeia as redes de fungos micorrízicos ao redor do mundo. O foco é revelar como estruturas subterrâneas influenciam ecossistemas e clima, além de defender sua proteção. A entrevista abordou tecnologias usadas, desafios e perspectivas futuras.
Os fungos micorrízicos formam parcerias com a maioria das plantas, trocando nutrientes por carbono. Esse intercâmbio underground é responsável por grande parte do carbono armazenado no solo, contribuindo para a regulação do clima global, segundo estudos citados pela SPUN.
A SPUN trabalha com ferramentas avançadas, como sensoriamento remoto, sequenciamento e robótica de imagem, para mapear redes e acompanhar o fluxo de carbono subterrâneo. A organização recebeu feedbacks positivos sobre a necessidade de proteção dessas zonas essenciais.
Por que mapear redes subterrâneas
A ideia central é entender como as redes distribuem nitrogênio, fósforo e água, e como esse sistema influencia o crescimento das plantas. A pesquisadora compara o comportamento das redes ao de jogadores de pôquer, diante de decisões sobre alocação de recursos.
Segundo a equipe, a pesquisa evoluiu para demonstrar que fungos não são apenas passivos; eles participam ativamente do ritmo e da direção do fluxo de carbono e nutrientes pelas redes, ajustando estratégias conforme as necessidades das plantas.
Tecnologias que abrirem caminho
Kiers destacou o uso de marcadores fluorescentes para acompanhar a troca de fósforo, permitindo observar padrões de distribuição dentro das redes. Robôs de imageamento ajudam a monitorar bilhões de nodos ao longo do tempo, revelando trajetórias de crescimento e troca de recursos.
O método empregado envolve capturar imagens frequentes para reconstruir a dinâmica das redes. Dessa forma, é possível visualizar como o carbono se move para as pontas das fungos e como fósforo, nitrogênio e água retornam aos vegetais.
Desafios e próximos passos
Entre os obstáculos estão a dificuldade de rotular carbono com precisão e compreender o que aciona os fluxos subterrâneos. A equipe também aponta a necessidade de ampliar a compreensão pública sobre a importância ecológica das redes micorrízicas.
A SPUN mantém um programa de 137 exploradores globais e lançou, em 2026, o Underground Advocates. A iniciativa busca transformar dados em ações legais para conservação, restauração e clima, com atuação local orientada pela ciência.
Objetivos futuros
Os pesquisadores enfatizam a relevância de proteger hotspots de carbono sob solo e de restaurar comunidades vegetais nativas acompanhadas de seus fungos. O objetivo é acelerar ações concretas para conservar a infraestrutura subterrânea que sustenta ecossistemas inteiros.
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