- Crianças indígenas e de alguns estados do Nordeste, com até nove anos, apresentam média de altura menor que outras regiões do Brasil e abaixo da referência da Organização Mundial da Saúde.
- A pesquisa analisou dados de seis milhões de crianças cadastradas no CadÚnico, Sinasc e Sisvan, desde o nascimento até os nove anos.
- Foram avaliados peso, estatura e adequação de peso e estatura, com base nos parâmetros da Organização Mundial da Saúde.
- Em sobrepeso e obesidade, as taxas variam por região: Norte (sobrepeso vinte por cento; obesidade sete vírgula três por cento), Nordeste (vinte e quatro por cento; dez vírgula três por cento), Centro-Oeste (vinte e oito vírgula um por cento; treze vírgula nove por cento), Sudeste (vinte e seis vírgula seis por cento; onze vírgula sete por cento) e Sul (trinta e dois vírgula seis por cento; quatorze vírgula quatro por cento).
- O estudo foi publicado na revista JAMA Network Open no dia vinte e dois de janeiro de dois mil e vinte e seis.
A vulnerabilidade social impacta o crescimento de crianças indígenas e de alguns estados do Nordeste, com até 9 anos, que registram média de altura menor que outras regiões e abaixo da referência da OMS. O estudo envolve especialistas da Fiocruz Bahia (Cidacs).
A pesquisa cruzou dados de 6 milhões de crianças cadastradas no CadÚnico, Sinasc e Sisvan, desde o nascimento aos 9 anos. O objetivo foi relacionar condições de saúde e socioeconômicas com o desenvolvimento infantil.
Segundo o pesquisador Gustavo Velasquez, o foco foi peso e estatura, comparados aos padrões da OMS. A análise aponta que nem todas as crianças indígenas e nordestinas são de baixa estatura, mas há maior parcela nessa condição em certos grupos.
Sobrepeso e obesidade em diferentes regiões
A pesquisa também avaliou a prevalência de sobrepeso e obesidade, pelo índice de massa corporal. Regiões do Sul, Sudeste e Centro-Oeste apresentam níveis mais elevados de sobrepeso, enquanto o Norte e o Nordeste variam.
Regiões e indicadores de peso
- Norte: sobrepeso 20%, obesidade 7,3%
- Nordeste: 24% sobrepeso, 10,3% obesidade
- Centro-Oeste: 28,1% sobrepeso, 13,9% obesidade
- Sudeste: 26,6% sobrepeso, 11,7% obesidade
- Sul: 32,6% sobrepeso, 14,4% obesidade
Velasquez ressalta que a população brasileira, em conjunto, acompanha ou fica acima da referência de peso da OMS. O peso acima da norma não implica gravidade imediata, mas há casos com valores anormais.
Em relação à altura, o estudo indica que a média brasileira está próxima das referências internacionais, sugerindo desenvolvimento linear adequado, apesar de regiões apresentarem peso fora do esperado.
Fatores que influenciam crescimento
Os pesquisadores destacam que a obesidade está ligada a condições de nascimento e à gestação, reforçando a importância do acompanhamento pré e pós-natal. A alimentação também é apontada como determinante para o peso infantil.
A pesquisa, publicada na JAMA Network Open em janeiro de 2026, recebeu comentários de pesquisadores internacionais sobre aprendizados a partir do Brasil. O estudo enfatiza a relevância de vigilância nutricional contínua.
A invasão de alimentos ultraprocessados é citada como fator relevante para o aumento de peso em crianças, dentro de um conjunto de determinantes que afetam toda a população.
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