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Bactéria de 5 mil anos descongelada apresenta resistência a antibióticos

Bactéria de cinco mil anos, isolada na Romênia, resiste a dez antibióticos modernos, elevando alerta sobre riscos ambientais e potencial biotecnológico

Fotografia do "salão paroquial" da gruta de Scărișoara em 16/06/2017.
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  • Cientistas descongelaram uma bactéria de 5 mil anos encontrada na Caverna de Gelo de Scărișoara, na Romênia, batizada de Psychrobacter SC65A.
  • A amostra foi retirada de testemunho de gelo com 25 metros de profundidade no Grande Salão e analisada em laboratório sem derreter o gelo para evitar contaminação.
  • Em testes, a bactéria resistiu a dez dos 28 antibióticos modernos testados, incluindo rifampicina, vancomicina e ciprofloxacino.
  • Trata-se da primeira espécie do gênero Psychrobacter identificada com resistência à trimetoprima, clindamicina e metronidazol; algumas espécies do grupo podem causar infecções em humanos.
  • A descoberta levanta questões sobre resistência bacteriana natural, impactos ambientais do degelo e potencial uso na biotecnologia para entender a evolução da resistência e orientar o desenvolvimento de novos antibióticos.

A equipe do Instituto de Biologia de Bucareste descreveu a descoberta de uma bactéria preservada em gelo da Caverna de Scărișoara, na Romênia. O achado ocorreu durante a análise de testemunhos de gelo em profundidade, de cerca de 25 metros, no Grande Salão da caverna. O material foi cuidadosamente coletado para evitar descongelamento.

Ao laboratório, os cientistas identificaram uma bactéria de cerca de 5 mil anos, batizada de *Psychrobacter* SC65A.3. A amostra foi sequenciada, revelando mais de 100 genes ligados à resistência a antibióticos. A descoberta foi publicada na revista Frontiers in Microbiology.

Descoberta da bactéria

Testes mostraram que a bactéria resistiu a 10 dos 28 antibióticos avaliados, incluindo rifampicina, vancomicina e ciprofloxacino. Trata-se da primeira espécie do gênero *Psychrobacter* com resistência registrada a trimetoprima, clindamicina e metronidazol. Algumas espécies próximas podem infectar humanos de forma esporádica.

A resistência bacteriana a antibióticos é tema central de saúde pública, pois dificulta tratamentos e aumenta riscos de mortalidade. O estudo aponta que a resistência pode ter origens naturais, mas o uso intenso de fármacos favorece a seleção de traços resistentes.

Implicações e perspectivas

O degelo acelerado por mudanças climáticas pode liberar microrganismos resistentes aos antibióticos, apresentando riscos para pessoas e ecossistemas. Por outro lado, a bactéria pode abrir caminhos para novas pesquisas em biotecnologia e no entendimento da evolução da resistência.

Pesquisadores estimam que cerca de 600 genes da *Psychrobacter* SC65A.3 ainda têm funções desconhecidas, abrindo espaço para estudos futuros sobre mecanismos de resistência e potencial desenvolvimento de novos fármacos.

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