- Brasil e Coreia do Sul assinam três Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo para produzir bevacizumabe, eculizumabe e aflibercepte no Brasil, com transferência de tecnologia e investimento estimado de até R$ 1,104 bilhão no primeiro ano.
- As PDPs fortalecem a capacidade produtiva do país, reduzem vulnerabilidades do SUS diante de oscilações de mercado e ampliam o acesso a terapias de alto custo.
- As parcerias envolvem a Bahiafarma, a Fundação Ezequiel Dias (Funed), a Bahiafarma e empresas privadas sul-coreanas, com foco na produção nacional e na geração de empregos.
- Também foi firmado acordo de cooperação em saúde digital e inovação entre Brasil e Coreia, com seis novos entendimentos para produção conjunta de tecnologias em saúde e diagnóstico.
- Na Fiocruz, foram firmadas alianças com Optolane Technologies, GenBody e Green Cross Corporation para diagnóstico, dispositivos médicos e química clínica, incluindo transferência de conhecimento e plataformas de diagnóstico móvel.
Brasil e Coreia do Sul firmaram parcerias estratégicas no valor de até R$ 1,104 bilhão, com foco na produção nacional de medicamentos e insumos. A ação ocorreu durante a visita oficial do presidente Lula à Coreia, entre 22 e 25 de fevereiro, em Seul. O Ministério da Saúde, sob Alexandre Padilha, conduziu a assinatura de três PDPs voltadas a bevacizumabe, eculizumabe e aflibercepte, com transferência de tecnologia e internalização no Brasil.
As PDPs envolvem a Fundação Bahiafarma, a Fundação Baiana de Pesquisa, Desenvolvimento, Fornecimento e Distribuição de Medicamentos, a Bionovis e a Samsung Bioepis. O objetivo é ampliar a capacidade produtiva, reduzir vulnerabilidades do SUS e ampliar o acesso da população a terapias de alto custo. O investimento inicial representa cerca de R$ 1,1 bilhão no primeiro ano.
A assinatura ocorreu durante o Encontro Empresarial Brasil–Coreia do Sul, organizado pela ApexBrasil. Padilha destacou a transferência de tecnologia, a produção local e o fortalecimento da base industrial, com previsibilidade para o setor privado e compromisso de longo prazo do Estado.
Transferência de tecnologia e produção local
O aflibercepte, para degeneração macular, terá participação da Funed como parceira pública e da Bionovis com Samsung Bioepis como parceiras privadas. A assinatura marca o início da produção nacional, com foco em oftalmologia e câncer.
O bevacizumabe, usado no tratamento de cânceres e indicações oftalmológicas, envolve a Bahiafarma, a Bionovis e a Samsung Bioepis. O acordo prevê o desenvolvimento da fabricação no Brasil para reduzir dependência externa.
O eculizumabe, para a Hemoglobinúria Paroxística Noturna, passa a ter transferência tecnológica entre Bahiafarma, Bionovis e Samsung Bioepis, fortalecendo a produção local de um medicamento de tratamento de doenças raras.
Cooperação em saúde digital e novos acordos
Foi firmado um Memorando de Entendimento em Saúde entre os ministérios do Brasil e da Coreia do Sul, com foco em inovação biomédica, saúde digital e dados, além de terapias avançadas. Ao todo, foram anunciados seis acordos de produção conjunta de diagnósticos, biológicos e tratamentos.
Padilha ressaltou a intenção de ampliar a cooperação em saúde digital, citando o parque de hospitais inteligentes e a transformação digital do SUS como pilares da agenda bilateral. A Coreia foi convidada a integrar o Comitê Diretor da Coalizão para Produção, Inovação e Acesso a Tecnologias em Saúde, criada durante a presidência brasileira do G20.
Parcerias em diagnóstico com Fiocruz e Coreia
AFiocruz assinou acordos com Optolane Technologies, GenBody e Green Cross Corporation para cooperação em diagnóstico, dispositivos médicos e química clínica. A iniciativa prevê transferência de tecnologia, internalização de plataformas e ampliação da capacidade produtiva nacional.
A Optolane atua desde 2022 com Fiocruz em diagnóstico molecular, incluindo PCR em tempo real e PCR digital. O novo acordo prevê incorporação de tecnologia POC molecular com multitestes para doenças como mpox, malária e arboviroses.
A GenBody assinará compromisso para transferência de testes rápidos, com foco em dengue, HIV, sífilis, malária e leptospirose. A Green Cross promoverá cooperação em kits de diagnóstico, com ênfase em tuberculose e triagem para malária, ampliando a capacidade de resposta do SUS.
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