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Mais árvores nos locais onde são realmente necessárias

Estudo internacional mostra desigualdade de sombra nas calçadas urbanas: áreas ricas ganham mais árvores, sugerindo plantio alinhado à rede de transporte público

Research reveals a strong disparity in the amount of heat-mitigating tree cover within nine cities across the globe, with wealthy neighborhoods benefitting from shade the most. Amsterdam, pictured here, has a distinct pattern of less shade in lower-income areas.
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  • Estudo internacional liderado pelo MIT mostra desigualdade de sombra de árvores em bairros urbanos, conectando maior cobertura vegetal a áreas mais ricas.
  • Análise de nove cidades (Amsterdam, Barcelona, Belem, Boston, Hong Kong, Milão, Rio de Janeiro, Estocolmo e Sydney) usou dados de satélite e econômicos de 1991 a 2020 para medir a sombra em calçadas em solstício de verão e no dia mais quente do ano.
  • A escala de sombra varia de zero a um; cidades mais ricas, mesmo com boa cobertura média, apresentam disparidades maiores entre áreas mais sombreadas e menos sombreadas.
  • Conclusão: seguir redes de transporte público para orientar plantio de árvores pode ampliar a sombra onde há mais pedestres e menos recursos, reduzindo riscos de temperaturas altas.
  • O estudo, publicado em Nature Communications, destaca que a sombra não é apenas estética, mas uma ferramenta de mitigação de calor urbano e de proteção a quem anda a pé.

More trees where they matter, please

Um estudo internacional mostra desigualdades no nível de sombra urbana, intensificando o efeito de ilha de calor nas grandes cidades. A pesquisa associa cobertura de árvores, temperatura de superfície e riscos à saúde ao contexto socioeconômico local.

Em várias metrópoles de quatro continentes, a sombra disponível nos passeios está fortemente ligada à riqueza. Áreas mais abastadas costumam ter mais árvores, oferecendo maior proteção contra o calor. O estudo analisou bairros em cidades de diferentes latitudes.

A pesquisa utiliza dados de satélite, mapeamento urbano e informações econômicas granulares. Cidades incluídas são Amsterdam, Barcelona, Belém, Boston, Hong Kong, Milão, Rio de Janeiro, Estocolmo e Sydney. O objetivo é comparar padrões de sombra entre elas.

Para cada cidade, os pesquisadores mediram a sombra nos passeios no solstício de verão e no dia mais quente do ano entre 1991 e 2020. Criaram uma escala de 0 a 1 para avaliar a cobertura de sombras por bairros e por cidade.

Desigualdade de sombra dentro das cidades

Os resultados mostram padrão consistente: áreas mais ricas costumam ter maior cobertura de sombra. Em Estocolmo, as melhores áreas chegam a 0,9 na escala, enquanto Belém fica em patamares muito mais baixos. A diferença é maior em Estocolmo do que em Belém.

Mesmo cidades com boa cobertura total exibem disparidades internas. Em Amsterdam, por exemplo, bairros de baixa renda apresentam menos sombra que os de alta renda, embora a cidade tenha média relativamente alta de árvores.

A equipe destaca que padrões variam entre cidades, mas o traço geral persiste: desigualdade de sombra alcança tanto metrópoles ricas quanto pobres. Em algumas cidades, há bairros de renda baixa com sombras modestas, porém o conjunto permanece desigual.

Caminhos para políticas de mitigação

Os autores indicam ações simples e eficazes: ampliar a arborização em áreas conectadas ao transporte público, que concentram grande fluxo de pedestres. O objetivo é aumentar a sombra ao longo de rotas de ônibus e de caminhada.

A ideia é que políticas de urbanismo tratem a sombra como infraestrutura pública essencial, especialmente para quem não usa ar-condicionado. Ações devem priorizar pontos de trânsito e trajetos pedonais populares.

Os dados sugerem que a construção de sombra não é apenas estética, mas uma ferramenta de proteção contra o calor. A pesquisa aponta a necessidade de planejar o plantio de árvores levando em conta a função de circulação de pessoas.

A pesquisa é publicada na Nature Communications e conta com colaboração de universidades e institutos da Holanda, Brasil, Hong Kong, Itália, Reino Unido e EUA. Os autores destacam que resultados traduzem-se em diretrizes para políticas urbanas.

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