- Estudos na Austrália mostram que a espécie Carter’s freshwater mussel está vulnerável à extinção e que habitats artificiais podem ajudar a mantê-la.
- Pesquisadores acompanharam doze sítios entre 2020 e 2024, sendo seis naturais e seis artificiais, como lagos de fazenda e canais de drenagem.
- A densidade de musséis foi similar entre ambientes naturais e artificiais, mas os artificiais apresentaram mais indivíduos adultos e menos jovens.
- Em ambientes naturais houve recrutamento mais recente, essencial para sustentar as populações a longo prazo.
- As larvas das musselis dependem de peixes hospedeiros para dispersão; espécies com maior diversidade de hospedeiros tendem a adaptar-se melhor a habitats artificiais, que podem, porém, oferecer tempo enquanto os rios se recuperam.
Dams, drains and other artificial habitats could buy time for threatened mussels: Study
Estudo internacional publicada na Pacific Conservation Biology analisou se há salvação para o Mussel Carter’s (*Westralunio carteri*) com o uso de habitats artificiais. Pesquisadores compararam áreas naturais e criadas entre 2020 e 2024 na Austrália.
A pesquisa avaliou 12 locais, seis em habitats naturais e seis em ambientes artificiais como barragens agrícolas e canais de drenagem, para entender densidade, distribuição e recrutamento de musséis. O motivo é a crise de extinção que envolve esses moluscos de água doce.
Entre os achados, habitats artificiais apresentam densidade semelhante à de ambientes naturais, mas com estrutura populacional diferente: mais indivíduos adultos e menos jovens, indicando menor recrutamento contínuo. Recrutamento constante é essencial para a sobrevivência a longo prazo.
Resultado e interpretação
Especialistas destacam que povos de água doce, embora vulneráveis, podem se beneficiar de habitats artificiais como “arca” temporária, desde que haja restauração de rios e manejo de fatores como intrusão salina e secas. A pesquisa reforça a necessidade de ações conservacionistas complementares.
A equipe liderada por Jake Daviot, da Murdoch University, ressalta que manter habitats naturais é insubstituível, mas ambientes criados podem ganhar tempo para populações de musséis se as bacias hidrográficas se recuperarem. O estudo aponta direção para gestão adaptativa.
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