- Cientistas do MIT identificaram mutação no gene grin2a associada à dificuldade de atualizar crenças com novas informações, um traço da esquizofrenia.
- Em camundongos, a mutação prejudica o funcionamento de um circuito cerebral que atualiza crenças com base em input, especialmente no tálamo mediodorsal conectado ao córtex pré-frontal.
- Os roedores com grin2a mostraram tomada de decisão menos ágil e demoraram mais para migrar de uma opção de alta recompensa para outra de menor valor, conforme mudavam as circunstâncias.
- A mutação grin2a surgiu em uma tela de exome sequencing que identificou mais de dez genes cuja alterações elevam o risco de esquizofrenia.
- Os autores proponem que fármacos que atuem nesse circuito podem ajudar em déficits cognitivos da esquizofrenia; o estudo foi publicado na Nature Neuroscience.
Um circuito cerebral envolvido na atualização de informações pode estar ligado à esquizofrenia, sugere estudo com camundongos. A mutação no gene grin2a reduz a dinâmica de atualização de crenças diante de novas evidências, o que pode explicar parte da perda de contato com a realidade em alguns pacientes.
Contexto genético e objetivo
Pesquisadores identificaram, via sequenciamento de exoma, variantes associadas à esquizofrenia. Entre elas está grin2a, que codifica uma proteína da região NMDA do receptor de glutamato. O estudo compara camundongos com a mutação a controles saudáveis para entender impactos cognitivos.
Resultados do estudo
Em um modelo de decisão com alavancas, ratos saudáveis mudam de estratégia conforme o valor das recompensas muda. Animais com grin2a mantêm a escolha anterior mais tempo, ajustando-se lentamente ao novo cenário. Esse atraso aponta dificuldade de atualizar crenças com novas informações.
Desdobramentos neurobiológicos
A equipe verificou que a mutação impacta principalmente o tálamo mediodorsal, conectado ao córtex pré-frontal. Essa rede tálamo-cortical regula controle executivo e tomada de decisão, e mostra atividade variável conforme o estado exploratório ou de compromisso dos animais.
Potenciais caminhos terapêuticos
Os pesquisadores usaram optogenética para ativar neurônios do tálamo mediodorsal, revertendo aspectos do comportamento nos camundongos mutantes. A intervenção deixou os animais mais parecidos com os controles, sugerindo que tratar esse circuito pode atenuar parte das dificuldades cognitivas da esquizofrenia.
Contexto científico e quais genes estão implicados
Mais de 100 variantes genéticas foram associadas à esquizofrenia em grandes estudos. Mutação grin2a é rara em pacientes, mas o funcionamento desse circuito pode ser uma via comum para prejuízos cognitivos em diferentes etiologias da doença.
Perspectivas de pesquisa e financiamento
Os resultados indicam que a plasticidade de atualização de informações é um alvo relevante. Pesquisas futuras buscam identificadores dentro do circuito que possam ser candidatos a fármacos. O estudo contou com apoio de institutos estadunidenses e centros de pesquisa associados ao MIT e ao Broad Institute.
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