- A OMS anunciou, em fevereiro de 2026, a detecção de uma cepa recombinante inédita do mpox, formada por elementos de clados Ib e IIb, dificultando a identificação por PCR convencional.
- Dois casos confirmados no Reino Unido e na Índia indicam circulação da nova cepa em pelo menos quatro países, em três regiões da OMS, com histórico de viagem internacional.
- Ensaios clínicos mostraram que o tecovirimat, antiviral amplamente usado, não reduziu o tempo de resolução das lesões nem a dor nem a eliminação do vírus em adultos com mpox clado II; estudos sugerem revisão de uso em pacientes imunocompetentes.
- No Brasil, não houve óbitos por mpox em 2024 e 2025, mas a confirmação do clado Ib em São Paulo, em 2025, elevou o risco ao considerar formas mais graves e vulneráveis.
- A proteção segue pela vacinação (principalmente com a vacina Jynneos, via SUS), além de medidas de prevenção e vigilância genômica mais ampla, já que planos terapêuticos precisam de atualização frente às novas evidências.
A Organização Mundial da Saúde anunciou em fevereiro de 2026 a detecção de uma nova cepa recombinante do mpox. O vírus combina elementos de dois clados já conhecidos, Ib e IIb, tornando o monitoramento mais complexo. Testes tradicionais de PCR falharam em identificar corretamente o novo vírus.
Casos confirmados até agora começaram a despertar preocupações sobre disseminação. Dois casos, no Reino Unido e na Índia, apresentaram histórico de viagem internacional. Sequenciamento genômico completo revelou a natureza recombinante, algo que os testes convencionais não capturam.
Em estudo publicado no New England Journal of Medicine, o antiviral tecovirimat não mostrou benefício claro. O ensaio STOMP envolveu 344 adultos imunocompetentes com mpox clado II, randomizados para receber o antiviral ou placebo por 14 dias. A resolução das lesões ficou similar entre os grupos.
A mesma tendência foi observada no estudo PALM007, realizado na República Democrática do Congo, com clado I. Juntos, os resultados sugerem que o uso rotineiro do tecovirimat em adultos não acelera a recuperação em casos leves a moderados. Grupos imunocomprometidos não foram suficientemente representados.
No Brasil, não houve registro de mortes por mpox em 2024 e 2025. No entanto, a detecção do clado Ib em São Paulo, em 2025, elevou a percepção de risco, dado o potencial de quadros mais graves em alguns pacientes. As autoridades destacam a necessidade de vigilância ampliada.
Por que a nova cepa exige atenção
A OMS aponta que a cepa recombinante pode estar mais disseminada do que indicam os registros oficiais. Casos ainda não nomeados envolvem viagens internacionais, o que indica circulação em várias regiões. Testes de PCR não distinguem o novo vírus, exigindo sequenciamento genômico para confirmação.
Estudos mostram que clados distintos apresentam faixas de letalidade diferentes. O Ib é associado a quadros mais graves, com letalidade estimada entre 3% e 5%, podendo chegar a 11% em crianças ou imunocomprometidos. O IIb apresenta letalidade menor, especialmente em países de alta renda.
O que fazer daqui para frente
A vigilância precisa incorporar o sequenciamento genômico de forma sistemática. Em assistência clínica, protocolos devem ser revisados à luz das evidências recentes, pois o tecovirimat não sustenta uso rotineiro em adultos imunocompetentes. Grupos vulneráveis exigem alternativas terapêuticas e monitoramento mais cuidadoso.
Na prevenção, a vacinação continua central. No SUS, a vacina Jynneos (MVA-BN) está disponível para grupos prioritários, com eficácia estimada entre 70% e 85% e benefício maior se aplicada até 96 horas após exposição. A ACAM2000 tem uso mais restrito.
O que fazer para se proteger
A principal medida é a vacinação. Além disso, evitar contato direto com lesões de pessoas com mpox suspeita e buscar atendimento ao surgirem lesões, febre e linfadenopatia após exposição de risco. Em casos graves, orientações dos CDC ajudam na condução clínica.
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