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Bitucas de cigarro: lixo mais comum do planeta com 4,5 trilhões descartadas

Estudo internacional reúne dados de cinquenta e cinco países e aponta 4,5 trilhões de bitucas descartadas anualmente, contaminando praias, ambientes urbanos e aquáticos

Fotografia de várias bitucas de cigarro.
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  • Estudo que compilou 130 pesquisas em 55 países (2013–2024) mostra que 4,5 trilhões de bitucas são descartadas anualmente no ambiente.
  • Corresponde a cerca de 550 bitucas por habitante, com densidade média de 0,24 bituca por metro quadrado em áreas urbanas e aquáticas.
  • Picos extremos chegaram a mais de 38 bitucas por metro quadrado em praias e zonas costeiras; a massa total anual é estimada em 766,6 milhões de quilos.
  • Áreas ambientalmente protegidas reduzem a contaminação em até dez vezes, mas hotspots aparecem mesmo em parques e reservas, dependendo de turismo e fiscalização.
  • Bitucas contêm mais de sete mil químicos, com ao menos 150 tóxicos, e o filtro de acetato de celulose gera microplásticos, impactando ecossistemas e saúde pública.

O estudo de revisão aponta que 4,5 trilhões de bitucas de cigarro são descartadas inadequadamente todo ano, tornando-se uma das faces mais amplas da poluição global. A estimativa implica cerca de 550 bitucas por habitante anualmente, em média.

Foram compilados dados de 130 estudos realizados em 55 países entre 2013 e 2024. Em ambientes urbanos e aquáticos, a densidade média é de 0,24 bituca por metro quadrado, equivalente a uma bituca a cada quatro metros. Picos extremos chegam a 38 por m².

A massa total de resíduos desse tipo anualizada fica em torno de 766,6 milhões de quilos. O levantamento destaca que áreas protegidas reduzem a contaminação em até dez vezes em relação a locais sem proteção ambiental.

Hotspots e distribuição

A pesquisa reúne 17 países com concentrações elevadas de contaminação, especialmente na América do Sul, Oriente Médio e Sudeste Asiático. Praias do Golfo Pérsico já registraram mais de 38 bitucas por m² em pontos críticos.

Na América do Sul, praias do Brasil, Chile, Uruguai e Equador aparecem entre os locais mais impactados, com lotes significativos de bitucas entre os resíduos coletados. Correntes marítimas ajudam a levar resíduos de áreas distantes para as praias.

Metodologia e impactos

A revisão é fruto de parcerias entre a Unifesp, a Unesp, o Inca, a Johns Hopkins University e a Universidad San Ignacio de Loyola. O primeiro autor é Victor Vasques Ribeiro, doutorando do Instituto do Mar da Unifesp. O estudo foi publicado no Environmental Chemistry Letters.

Segundo Ribeiro, os contaminantes químicos presentes na bituca se dispersam rapidamente na água do mar, tornando o material tóxico para várias espécies aquáticas em poucas semanas. O filtro é composto por acetato de celular, um polímero que persiste no ambiente, gerando microplásticos.

A equipe cita ainda que os cigarros contêm mais de 7 mil compostos, pelo menos 150 tóxicos. O debate de saúde pública envolve a ideia de que filtros tornariam o cigarro menos nocivo, argumento que não se sustenta segundo o estudo.

Implicações e ações

Os autores defendem que as informações subsidiem negociações internacionais, como o tratado da ONU contra a poluição plástica, e medidas locais, como proibição de fumar em praias e parques. Também destacam a importância de educação ambiental e gestão adequada de resíduos.

Para André Salem Szklo, do Inca, a introdução de filtros foi explorada pela indústria como marketing de menor dano, o que não corresponde à evidência. Ele ressalta a necessidade de responsabilizar a indústria pela contaminação gerada.

A partir dos dados, a equipe recomenda maior fiscalização, redução do tabagismo e incentivo a práticas de descarte responsáveis, alinhadas a objetivos de desenvolvimento sustentável.

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