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Estimulação cognitiva em idosos melhora memória e atenção, aponta estudo da USP

Estimulação cognitiva em idosos melhora memória, atenção e funções executivas; ganhos persistem após o fim da intervenção, segundo estudo da USP com 207 voluntários

Estimulação cognitiva favorece o envelhecimento saudável.
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  • Estudo da USP com 207 idosos (a partir de 60 anos) mostrou que estimulação cognitiva com o método Supera melhora cognição global, memória, funções executivas e autoestima, mantendo os ganhos ao longo de dois anos.
  • Participaram três grupos: intervenção (aulas semanais de duas horas), grupo controle passivo e grupo ativo (aulas sobre envelhecimento saudável); avaliação ocorreu antes, aos 6, 12, 18 e 24 meses.
  • Ao fim de dezoito meses, o grupo de intervenção teve ganhos de aproximadamente 10% em cognição global, 11% em funções executivas, 24,3% em memória, 58,3% na autoavaliação cognitiva e 11,6% em flexibilidade mental.
  • No follow-up de seis meses após o fim das aulas, os benefícios continuaram, com memória destacando-se; houve ainda redução de queixas de depressão (26,7%) e melhoria de qualidade de vida (6,5%), similar ao grupo ativo.
  • Os resultados fortalecem a ideia de que a estimulação cognitiva pode ser eficaz na prevenção de demência e na promoção de bem‑estar, e abrem caminho para estudos com idosos de baixa escolaridade.

Entre 60 e mais anos, 207 idosos participaram de um estudo da USP sobre estimulação cognitiva. Durante dois anos, alunos participaram de atividades com ábaco, jogos de tabuleiro e dinâmicas em grupo. O objetivo foi verificar impactos em memória, atenção e funções executivas.

O grupo que fez a intervenção utilizou o método Supera, com 2 horas semanais de atividades. Os outros dois grupos foram controlados: GCP, sem intervenção, e GCA, com 2 horas semanais de aulas sobre envelhecimento saudável. Avaliações ocorreram antes, aos 6, 12, 18 e 24 meses.

O estudo avaliou desempenho cognitivo por testes e por autoavaliação, também acompanhando a manutenção dos ganhos. Ao fim de 18 meses, os resultados mostraram ganhos relevantes na memória, rápido rendimento de funções executivas e percepção de melhoria cognitiva.

Metodologia do estudo

A pesquisadora Thais Bento, da EACH-USP, afirma que este é o primeiro ensaio clínico randomizado de longa duração no Brasil com idosos saudáveis. A neurologista Sonia Brucki destaca o desenho longitudinal e os grupos de comparação.

Após 18 meses, o grupo de estimulação apresentou aproximadamente 10% de ganho em cognição global e 11% em funções executivas, frente a margens menores nos demais grupos. A memória teve avanço de cerca de 24,3% nas provas específicas.

Resultados na memória e no humor

A memória foi o ponto mais destacado: ganhos maiores do que nos outros domínios, surpreendendo as pesquisadoras. A percepção dos próprios idosos também melhorou, com 58,3% de avanço na autoavaliação cognitiva.

A equipe aponta que sinais de declínio cognitivo costumam surgir após queixas de memória. Segundo as pesquisadoras, indivíduos com percepção positiva tendem a manter melhor desempenho por mais tempo.

Efeitos colaterais e qualidade de vida

Além das habilidades cognitivas, houve melhoria no humor e na qualidade de vida. A redução de queixas de depressão aos 18 meses foi de 26,7%, enquanto ganhos de qualidade de vida chegaram a 6,5% no grupo de intervenção.

O estudo reforça que socialização e atividades presenciais interferem positivamente no bem-estar. Pesquisas associam solidão e depressão a menores índices de neurogênese e pior sono, fatores que afetam a atenção.

Perspectivas e continuidade

Os resultados corroboram que a estimulação cognitiva pode atuar como prevenção de demência, segundo as pesquisadoras. O grupo da USP planeja avaliar efeitos em idosos com baixa escolaridade, grupo com maior vulnerabilidade demográfica.

Os participantes passaram por uma avaliação de follow-up seis meses após o término da intervenção. Em geral, os benefícios permaneceram, com exceção na comparação de qualidade de vida, onde ganhos ficaram similares entre intervenção e grupo controle ativo.

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