- Planta carnívora Utricularia warmingii é redescoberta no Piauí, na Lagoa do Bode, em Campo Maior, após 80 anos sem registros.
- A espécie usa armadilhas com utrículos de pressão negativa para capturar presas minúsculas, em menos de 15 milissegundos.
- No Brasil, há 71 membros do gênero, com maioria no Nordeste; registros anteriores no Sudeste e no Pantanal são raros, e há ausência de avistamentos em São Paulo desde 1939 e em Minas Gerais desde 1877.
- A população encontrada parece restrita a um único local; novas buscas na região não localizaram outras ocorrências, e há ameaças de expansão agropecuária, agrotóxicos, invasoras, uso humano e mudanças climáticas.
- Os pesquisadores defendem classificar a espécie como em perigo de extinção; a área estimada de ocupação é de cerca de 36 quilômetros quadrados, dificultando a recolonização natural.
Uma planta carnívora rara foi redescoberta no Piauí depois de 80 anos sem registros. A Utricularia warmingii foi encontrada em uma lagoa alagada no interior, na Lagoa do Bode, em Campo Maior, a 80 km de Teresina. A descoberta acontece em área de habitats frágeis.
O gênero Utricularia reúne cerca de 250 espécies, todas aquáticas ou semi-aquáticas e carnívoras. As plantas se alimentam principalmente de microrganismos, mas podem capturar dálias aquáticas de até 1 cm. O mecanismo de caça envolve utrículos com pressão negativa.
A armadilha funciona em menos de milissegundo: quando um organismo toca a superfície, o utrículo se abre e puxa a presa para o interior. Esse processo rápido permite que a planta obtenha nutrientes em ambientes com poucos recursos.
A maioria das espécies ocorre na região Nordeste do Brasil, mas a Utricularia warmingii não era avistada há décadas na área. A área de ocorrência atual é considerada muito restrita e envolve um único sítio armazenado em registros científicos.
Distribuição e riscos
Há registros potenciais na América do Sul, incluindo Bolívia, Colômbia e Venezuela, porém são esparsos. No Brasil, já houve ocorrências no Pantanal e no Sudeste, com ausência de avistamentos em São Paulo desde 1939 e em Minas Gerais desde 1877.
O principal risco decorre da vulnerabilidade de lagoas rasas e de áreas de alagamento temporário. Expansão agrícola, uso de agroquímicos, invasoras e ocupação humana reduzem áreas adequadas para a espécie.
Estudos recentes indicam que a espécie merece classificação oficial como em perigo de extinção. A área de Occupação estimada é de cerca de 36 km², o que acentua a fragilidade da população frente a perdas locais. Pesquisas buscam confirmar a distribuição e orientar conservação.
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