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Falhas em Cascadia podem desencadear o maior terremoto já registrado

Estudo aponta variações em Cascadia, com parte da falha mais ativa e circulação de fluidos, o que pode alterar a ruptura de megaterremotos.

Floresta Fantasma de Neskowin, costa de Oregon, nos EUA
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  • A Zona de Subducção de Cascadia se estende por mais de 965 quilômetros do Canadá à Califórnia, onde as placas Juan de Fuca e Norte-Americana se encontram, e pode influenciar a propagação de grandes tremores.
  • Pesquisas indicam pouca atividade sísmica na região, sugerindo que as placas estariam travadas por atrito, mas estudo com treze anos de dados mostra parte norte travada e a região central mais ativa.
  • Sinais de um terremoto raso, movimento lento e pulsos de fluido em canais subterrâneos foram observados, o que pode aliviar pressão na falha.
  • O estudo, publicado em Science Advances em 27 de fevereiro, aponta que trajetórias de fluidos podem alterar o comportamento de grandes terremotos na falha e que a região pode ter pelo menos quatro segmentos geológicos distintos.
  • A placa Juan de Fuca avança cerca de quatro centímetros por ano em direção à Norte-Americana; há probabilidade de até quinze por cento de que toda a falha se rompa nos próximos cinquenta anos, com o último megadeslizamento registrado em 1700.

A Zona de Subducção de Cascadia, que se estende por mais de 965 quilômetros do Canadá à Califórnia, pode abrigar a maior ruptura de megadeslizamento já prevista. Pesquisadores de diferentes áreas analisaram 13 anos de dados de movimento do solo para entender como tremores podem se propagar nessa região.

O estudo, publicado em Science Advances em 27 de fevereiro, aponta que a porção norte da falha estaria travada e inativa, enquanto a região central apresentaria maior atividade. Essa variação regional pode influenciar a forma como um grande terremoto ocorreria ao longo da fronteira entre as placas Juan de Fuca e Norte-Americana.

A pesquisa utilizou dados de sensores em terra e observou sinais de terremoto raso, movimento lento e pulsos de fluido emergindo de canais subterrâneos. Esses fenômenos podem aliviar a pressão na falha e alterar o curso de uma ruptura futura.

Mudanças de tensão e fluídos

A velocidade sísmica foi monitorada em três estações, sendo uma próximo à Ilha de Vancouver e duas na costa do Oregon. A região norte mostrou aceleração da velocidade sísmica, indicando compactação da rocha e travamento das placas.

Na região central, houve queda na velocidade sísmica durante dois meses em 2016, associada a um terremoto de movimento lento na borda da placa oceânica. Entre 2017 e 2022, quedas adicionais foram ligadas à dinâmica dos fluidos subterrâneos.

Os pesquisadores ressaltam que falhas perpendiculares à zona de subducção podem servir como vias de escape para fluidos aprisionados. A liberação desses fluidos poderia influenciar a propagação de rupturas em grandes terremotos.

Perspectivas e continuidade da pesquisa

O levantamento revela que a falha pode ser segmentada em ao menos quatro blocos geológicos distintos, com cada segmento potencialmente isolado de rupturas em outras áreas. O estudo reforça que o comportamento de Cascadia pode depender de trajetórias variáveis de fluidos.

Os autores destacam que os resultados ainda são preliminares e que a investigação permanece em andamento, com um observatório subaquático ativo na região. A equipe enfatiza a necessidade de mais dados para entender plenamente a dinâmica da falha.

Pesquisas anteriores já indicavam probabilidade de megadeslizamento na Cascadia, com estimativas de 10 a 15% de ruptura total da falha nos próximos cinquenta anos. As novas evidências, no entanto, sugerem que fatores locais, como fluídos, podem moderar esse risco.

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