- Em Davinópolis, Maranhão, obras no terminal rodoferroviário revelaram o fóssil de uma nova espécie de dinossauro pescoçudo, datado de cerca de 120 milhões de anos.
- O animal, com pescoço e cauda longos, mede cerca de 20 metros e é o maior dinossauro já encontrado no Maranhão; pertence a um novo gênero dentro dos titanossauriformes, batizado Dasosaurus tocantinensis.
- Fóssil foi descoberto pelos operários em oito metros de profundidade e incluía fêmur de 1,5 metro, vértebras, costelas e ossos dos membros e da bacia.
- A pesquisa aponta relação próxima com Garumbatitan morellensis, da Espanha, sugerindo conexão evolutiva entre Europa e América do Sul; ancestrais possivelmente migraram quando os continentes estavam ligados.
- Os fósseis passaram por preparação, foram para o Pará para estudo e retornaram ao Maranhão em 2025; o estudo foi publicado no Journal of Systematic Palaeontology, e há possibilidade de novas escavações na área.
Em Davinópolis, Maranhão, obras no terminal rodoferroviário de 2021 revelaram um fóssil de uma nova espécie de dinossauro pescoçudo. A descoberta ocorreu durante escavações em profundidade de cerca de oito metros, em uma camada da transição entre o Cretáceo Inferior e Superior, há 120 milhões de anos. O achado foi feito por trabalhadores da obra, que acionaram paleontólogos conforme a lei.
O material está relativamente completo, com fêmur de 1,5 metro, vértebras da cauda, costelas e ossos de membros. Estima-se que o animal tenha cerca de 20 metros de comprimento, o que o torna o maior dinossauro já encontrado no Maranhão e um dos maiores do Brasil. O nome dado é Dasosaurus tocantinensis.
O fóssil foi classificado como um novo gênero de titanossauriformes. Depois de a escavação terminar, os fósseis passaram por preparação e foram levados ao Pará para análise. Em 2025 retornaram ao Maranhão, acondicionados em caixas de isopor devidamente preparadas.
Conexões evolutivas
Os resultados indicam que o parentesco mais próximo do animal é Garumbatitan morellensis, encontrado na Espanha. Segundo os pesquisadores, isso sugere uma ligação evolutiva entre a Europa e a América do Sul, possivelmente por dispersão de ancestrais há cerca de 130 milhões de anos.
A hipótese envolve a origem dos antepassados no continente europeu, ainda conectado aos demais blocs africanos. A partir daí, teriam se deslocado por áreas que hoje correspondem ao norte da África, alcançando o que viria a formar a América do Sul.
Os cientistas também analisaram o crescimento dos ossos, observando um padrão diferente do visto em titanossauros modernos. O traço se aproxima de outros grupos de dinossauros, abrindo novas pistas sobre a evolução dessas espécies gigantes.
Perspectivas de pesquisa e divulgação
Os pesquisadores apontam a possibilidade de mais fósseis no local. Eles avaliam a continuidade das escavações na área da obra, com o objetivo de confirmar a extensão da espécie e de seu ecossistema. A descoberta foi publicada no Journal of Systematic Palaeontology.
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