- Em Japão, pesquisadores clonaram 1.206 camundongos a partir de uma única fêmea entre 2005 e 2025, após 25 gerações sem sinais de problemas, surgiram mutações graves que se acumularam e se tornaram fatais.
- Na 58ª geração, o clone afetado por mutações morreu poucos dias após o nascimento, revelando limites da clonagem repetida.
- O estudo, publicado em Nature Communications, afirma que a taxa de mutação é três vezes maior do que a de descendentes gerados por acasalamento natural.
- Clonagens periódicas (a cada três ou quatro meses) mostraram que as mutações se acumulam conforme as gerações avançam, levando a falhas cromossômicas a partir da geração 27.
- Os resultados destacam a importância da reprodução sexuada para evitar mutações genéticas deletérias em mamíferos e questionam a viabilidade da clonagem indefinida.
Durante duas décadas, pesquisadores japoneses clonaram ratos repetidamente para investigar os limites da técnica. Um total de 1.206 camundongos clonados foi gerado a partir de uma única fêmea doadora entre 2005 e 2025, em laboratórios no Japão, com o objetivo de acompanhar os impactos da clonagem serial.
A pesquisa, publicada na Nature Communications, aponta que as gerações iniciais pareceram saudáveis. No entanto, a partir da 27ª geração, mutações prejudiciais começaram a se acumular, levando a anomalias cromossômicas e, na 58ª geração, à morte de um clone poucos dias após o nascimento. Esse padrão se manteve mesmo com a geração de clones idênticos ao original.
Análise genética envolveu o sequenciamento de 10 clones de várias gerações para entender o mecanismo por trás das mutações. Os cientistas observaram que a clonagem repetida atua como duplicar uma imagem: cada cópia fica mais deteriorada que a anterior, gerando alterações que comprometem a viabilidade.
Isso contrasta com a ideia de clones idênticos ao doador e com a possibilidade de continuidade indefinida da clonagem com a tecnologia atual. O estudo indica limites claros para a reprodução por clonagem em mamíferos, diferentemente de plantas e de animais menos complexos, reforçando a importância da reprodução sexuada para evitar mutações acumuladas.
Os pesquisadores acompanharam ainda a fertilidade dos clones ao cruzá-los com camundongos machos comuns. Até a 20ª geração, a produção de filhotes manteve-se estável em média, mas, com o tempo, a frequência de ninhadas reduziu, refletindo o acúmulo de mutações ao longo das gerações.
O método utilizado foi a transferência nuclear, o mesmo aplicado na criação de Dolly, a ovelha, em 1996, e de Cumulina, o primeiro rato clonado, em 1998. A técnica envolve transferir o núcleo de uma célula doadora para um óvulo de núcleo removido, levando ao desenvolvimento do embrião clone.
Os autores destacam a necessidade de explorar novas abordagens para enfrentar as limitações identificadas. Ainda não há uma alternativa que permita clonagens repetidas sem efeitos genéticos adversos em mamíferos, segundo o estudo.
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