- O cão mais antigo conhecido foi datado em 15.800 anos e encontrado no sítio de Pinarbasi, na Turquia.
- A pesquisa indica que cães já eram amplamente distribuídos e parte da cultura humana muito antes da agricultura.
- Os estudos analisaram 216 restos mortais antigos (46 cães e 95 lobos) para distinguir canídeos; os resultados foram publicados na revista Nature.
- Em Pinarbasi, cães eram enterrados junto com humanos e recebiam alimentação com peixe, sugerindo valorização pelos caçadores-coletores.
- O cão mais antigo identificado na caverna de Kesslerloch, na Suíça, data de 14.200 anos e mostra origem comum com cães da Ásia e de outras regiões; os ancestrais podem ter ocupado funções de caça, guarda ou companhia.
Os cães podem ter sido companheiros dos humanos há muito mais tempo do que se pensava. Um cão datado de 15.800 anos foi identifcado a partir de ossos encontrados no sítio arqueológico de Pinarbasi, na Turquia, associado a caçadores-coletores do período. A descoberta é mais antiga do que o registro canino mais antigo confirmado anteriormente em cerca de 5.000 anos.
A pesquisa, publicada em dois artigos na revista Nature, indica que cães já estavam amplamente distribuídos pela Eurásia Ocidental há cerca de 18.000 anos e diferiam geneticamente dos lobos. Os trabalhos envolvem a equipe de Anders Bergström, da Universidade de East Anglia, e o Laboratório de Genômica Antiga do Instituto Francis Crick, em Londres.
No estudo, foram analisados 216 restos mortais antigos, com idades entre 46.000 e 2.000 anos, de diversos países europeus e da Turquia. Em conjunto, foram identificados 46 cães e 95 lobos, destacando a dificuldade de distinguir as espécies apenas por osso. O cão mais antigo identificado pela equipe em território europeu data de 14.200 anos.
Os achados de Pinarbasi mostram que cães já eram valorizados por caçadores-coletores, com sepulturas que incluem cães enterrados ao lado de humanos. Há evidências de alimentação com peixe em cães do sítio turco. Em contrapartida, o registro da Caverna de Gough, na Inglaterra, aponta vestígios de manipulação de restos humanos após a morte, com sinais de presença canina associada.
Entre as implicações, os pesquisadores correlacionam cães antigos com raças que hoje incluem combinações ancestrais influentes na Europa e no Oriente Médio, como boxers e salukis, e sugerem que os cães primitivos tinham funções variadas, desde companhia até apoio na caça ou guarda.
As hipóteses sobre quando, onde e por que a domesticação ocorreu ainda não são definitivas. Os autores destacam que a divergência entre cães e lobos ocorreu possivelmente antes do último máximo glacial, mas ressaltam incertezas sobre o momento exato da domesticação.
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