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Estudo aponta que desmatamento explica queda de chuvas na Amazônia

Desmatamento explica de 52% a 72% da queda de chuva na Amazônia austral nas últimas quatro décadas, elevando a seca e atingindo áreas vizinhas

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  • Estudo publicado em Nature Communications aponta que entre cinquenta e dois por cento e setenta e dois por cento da queda de precipitação no sul da Amazônia, nos últimos quarenta anos, é causada pelo desmatamento, com redução anual de chuva entre oito e onze por cento.
  • A perda de floresta reduz a evapotranspiração e o transporte de vapor d’água, contribuindo para menos chuva e secas mais longas, com efeito também em regiões a jusante.
  • No período de 1982 a 2016, a região sul da Amazônia teve queda de chuva entre 3,9 e 5,4 milímetros por ano, enquanto a região norte apresentou leve aumento não significativo; houve redução média de 7,7% da cobertura florestal, principalmente por atividade humana.
  • Os pesquisadores ressaltam que a diminuição de chuva está ligada a mudanças no uso do solo em áreas distantes, não apenas na Amazônia, o que altera o transporte de umidade até a região sul.
  • A reflorestação é apontada como possível mitigação para aumentar a chuva local, com estudos sugerindo que estratégias de restauração podem retornar parte da umidade à atmosfera e ajudar na estabilidade climática regional.

Entre 1980 e 2019, a Amazônia sofreu quedas expressivas de chuva no sul da bacia, apontando para uma relação entre desmatamento e mudanças no regime de precipitação. Um estudo na Nature Communications estima que de 52% a 72% da diminuição de chuva nessa região pode ser atribuída ao desmatamento, com queda anual de 8% a 11% na precipitação.

Além disso, a pesquisa indica que o impacto não é apenas local. Mudanças no uso da terra em áreas a jusante também contribuíram para a redução de vapor úmido transportado até a região sul da Amazônia. O estudo utiliza dados observacionais de precipitação e evapotranspiração combinados a rastreamento de vapor para mapear esse efeito.

Entre 1982 e 2016, a redução de chuva na porção sul da Amazônia ficou entre 3,9 e 5,4 mm por ano, segundo o estudo. A região perdeu em média 7,7% de cobertura florestal, maioritariamente por atividades humanas como extração de madeira, agricultura e mineração.

Desmatamento e transporte de vapor

A análise aponta que a perda de cobertura florestal reduz a evapotranspiração, componente-chave na geração de regime de chuva. O resultado é uma espécie de ciclo vicioso, com menos vapor na atmosfera e sequias mais longas na região sul.

Os autores destacam que o desmatamento em áreas adjacentes, mesmo a sul da Amazônia, afeta o fluxo de vapor que chega ao bioma. Desse modo, alterações em regiões distantes influenciam a chuva local, ampliando a complexidade das projeções climáticas.

Coautores do estudo ressaltam que modelos climáticos atuais subestimam o efeito do desmatamento sobre a chuva. Em comparação com uma meta-análise de 44 estudos, os modelos podem subestimar esse impacto em até 50%.

Incertezas e caminhos da modelagem

Especialistas costumam observar que a incerteza em simulações decorre de como evaporação e transporte atmosférico são representados. A equipe utilizou um modelo de rastreamento de vapor aliado a dados observacionais para oferecer uma visão mais completa da relação desmatamento-chuva.

A diferença entre estimativas de modelos e dados reais indica que futuras projeções devem incorporar mais observações de vegetação, fluxos de água na superfície e processos atmosféricos. A melhoria na representação dessas variáveis é apontada como essencial.

O estudo também compara os resultados com pesquisas anteriores para entender onde os modelos acertam ou erram. A partir dessa avaliação, há sugestões de ajustes para que previsões futuras reflitam melhor as mudanças no transporte de vapor e na evapotranspiração.

Caminhos de mitigação e políticas

Uma das vias para reduzir riscos é a restauração florestal, que pode aumentar a chuva reciclada e devolver vapor à atmosfera. Estudos indicam que o reflorestamento pode elevar a precipitação sazonal em áreas restauradas.

Especialistas ressaltam que a restauração requer esforços coordenados entre governos, comunidades e povos tradicionais. Além disso, estratégias agroflorestais são destacadas como compatíveis com restauração e meios de subsistência locais.

Segundo pesquisadores, a ciência pode orientar políticas públicas para ampliar a resiliência da Amazônia. Com melhor compreensão dos feedbacks terra-atmosfera, é possível mapear impactos de desmatamento e reforestação sobre a chuva futura.

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