Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Trimestre zero: moda nas redes sociais levanta alerta sobre fertilidade

Especialistas alertam que o trimestre zero não garante aumento de fertilidade e pode desencadear desregulação hormonal, ansiedade e intervenções radicais

Mulher triste segurando teste de gravidez negativo — Foto: Freepik
0:00
Carregando...
0:00
  • A tendência “trimestre zero” ganhou força nas redes sociais, especialmente no TikTok, propondo três meses de mudanças intensas antes da concepção.
  • A ideia tem base biológica: óvulo e espermatozoide levam cerca de noventa dias para amadurecer, mas não garante aumento significativo de fertilidade em quem já está saudável.
  • Revisão de 2025 encontrou que intervenções de estilo de vida antes da gravidez não aumentam taxas de gestação em pessoas saudáveis; benefícios aparecem principalmente em casos de obesidade, infertilidade diagnosticada ou distúrbios metabólicos.
  • Riscos incluem dietas radicais, perda de peso rápida e treinos excessivos, que podem desregular ovulação e elevar a ansiedade, dificultando a concepção.
  • Medidas úteis são parar de fumar, moderar álcool, controlar peso, usar ácido fólico e evitar certos cosméticos com disruptores endócrinos; a participação do homem também é fundamental para a fertilidade do casal.

Nos últimos meses, a prática chamada trimestre zero ganhou visibilidade nas redes sociais, especialmente no TikTok. O período de três meses antes de tentar engravidar foca em mudanças de estilo de vida, dieta, suplementos e rotina de saúde. A promessa é preparar o corpo para aumentar a fertilidade.

Especialistas apontam que há base científica no conceito: ovócitos e espermatozoides levam cerca de 90 dias para amadurecer, e condições vividas nesse intervalo podem influenciar a qualidade celular. No entanto, isso não transforma em regra mudanças intensas que prometem resultados imediatos.

Ainda assim, a ideia de mudanças rápidas não significa garantia de sucesso. Uma revisão de 2025 avaliou quase 8 mil mulheres e mostrou que intervenções de estilo de vida antes da gravidez não elevaram significativamente as chances de gestação entre quem já tinha saúde. Benefícios aparecem em grupos com obesidade ou infertilidade diagnosticada.

Entre os desafios da tendência estão riscos de intervenções radicais. Dietas restritivas, perda de peso acelerada e treinos intensos podem desregular a ovulação, prejudicando a fertilidade. Emagrecimento extremo e restrição calórica excessiva podem causar anovulação, segundo especialistas.

A ansiedade gerada pelo planejamento pode também atrapalhar. Níveis elevados de estresse no período pré-concepcional estão associados a ciclos irregulares e menor probabilidade de concepção. Além disso, a ideia de planejamento matemático da gravidez não corresponde à realidade, que envolve variabilidade individual.

Limite biológico

A promessa de melhorar a qualidade dos óvulos em poucos meses enfrenta limitações celulares e genéticas. Nutrição e hábitos ajudam, mas não revertêm completamente a reserva ovariana, determinada antes do nascimento. Mudanças de estilo de vida modulam, porém, o ritmo do declínio da qualidade dos óvulos.

Especialistas destacam que a redução de riscos não se restringe apenas à mulher. O fator masculino representa até metade dos casos de infertilidade conjugal e é influenciado por tabagismo, álcool, obesidade e sono inadequado. A fertilidade, portanto, envolve o casal.

O que realmente faz diferença

Mudanças moderadas podem colaborar quando há fatores de risco. Parar de fumar, reduzir álcool e manter o peso adequado ajudam a reduzir complicações na gestação. O ácido fólico, tomado antes da gravidez, diminui malformações no tubo neural e melhora as chances de concepção. Suplementos como antioxidantes costumam ter benefício limitado sem deficiência.

Cuidados com cosméticos e produtos de higiene também importam. Alguns itens contêm substâncias disruptoras endócrinas que podem afetar a função reprodutiva. Evitar esses componentes é aconselhável, especialmente em fases de suscetibilidade como a gestação.

Medidas adicionais incluem controle de diabetes, hipertensão e tireoide, atualização de vacinas quando indicado, saúde mental e acompanhamento médico regular. Para quem já tem saúde preservada, três meses podem bastar para iniciar medidas simples, mas casos com doenças crônicas costumam exigir preparo mais longo.

Conclusão inicial: o trimestre zero não é receita milagrosa, mas pode representar uma estratégia de redução de riscos para quem tem fatores que comprometem a fertilidade. O cuidado contínuo com a saúde reprodutiva ao longo da vida fértil é o caminho recomendado pelos especialistas.

Fonte: Agência Einstein

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais