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Inseto resiste ao frio gerando calor com o próprio corpo

Mosca-da-neve usa proteínas anticongelantes e aquecimento interno para viver abaixo de zero, com genes únicos relacionados à sobrevivência

Mosca-da-neve revela habilidade chocante para viver abaixo de zero (Imagem: Matthew Capek et al./ Current Biology, 2026/ CC BY-SA 4.0)
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  • Mosca-da-neve, Chionea alexandriana, pode permanecer ativa em ambientes com temperaturas negativas, graças a proteínas anticongelantes que impedem a formação de cristais de gelo nas células.
  • O inseto também gera calor corporal interno por meio de termogênese celular, mantendo a temperatura ligeiramente acima do ambiente sem depender de tremores.
  • O genoma apresenta muitos genes sem paralelos conhecidos, ligados à produção de proteínas anticongelantes, indicando evolução especializada possivelmente moldada por ambientes extremos.
  • Há sinais de convergência evolutiva com organismos marinhos polares, sugerindo soluções similares para o desafio do frio.
  • A pesquisa aponta possíveis aplicações em preservação de células e tecidos, criopreservação e desenvolvimento de materiais mais resistentes ao frio.

A mosca-da-neve Chionea alexandriana desafia o congelamento. Pesquisadores que assinam um estudo publicado em Current Biology em 2026 descrevem estratégias biológicas que a permitem ficar ativa em ambientes gelados. A espécie não recorre à dormência extrema comum entre insetos.

Diferente de muitos insetos, ela não congela nem reduz drasticamente a atividade. O estudo aponta que combina mecanismos bioquímicos e fisiológicos eficientes, incluindo proteínas anticongelantes que impedem cristais de gelo e a geração de calor corporal interno.

Genoma fora do padrão

Ao analisar o material genético, os cientistas encontraram genes com poucos similares em bancos de dados. A hipótese é de evolução altamente especializada, moldada por ambientes extremos ao longo de milênios. Esses genes estão ligados à produção de proteínas anticongelantes.

Esses traços sugerem convergência evolutiva: organismos distintos, como algumas espécies marinhas polares, desenvolvem soluções similares para o frio. A montagem genômica também destaca cromossomos e adaptações relevantes à sobrevivência.

Dupla estratégia de sobrevivência

As proteínas anticongelantes atuam como barreiras que restringem a formação de cristais de gelo nas células. Paralelamente, a mosca-maintém temperatura interna ligeiramente acima do ambiente, um ajuste que evita o congelamento total.

Esse aquecimento não depende de tremores, mas de processos celulares associados à termogênese. O mecanismo evita dor induzida pelo frio e sustenta atividades metabólicas, incluindo reprodução, em condições extremas.

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