- A pesquisa analisa o tráfico ilegal de vida silvestre entre 2000 e 2019, mostrando redes complexas e com rotas e países de origem que mudam conforme as pressões de enforcement e mercado.
- O número de países envolvidos no tráfico ilegal quase dobrou, passando de 49 em 2000 para 110 em 2019, com as conexões comerciais aumentando mais de 400%.
- A Ásia emergiu como centro do tráfico ilegal, substituindo a Europa como destino principal; a região concentra diferentes espécies utilizadas na medicina tradicional e no comércio de animais.
- A Europa continua sendo um grande mercado, tanto para produtos legais quanto ilegais, enquanto a demanda ligada à medicina tradicional se concentra na Ásia.
- Mesmo com a pandemia de covid-19, o tráfico não diminuiu e as rotas se deslocaram; reforços na monitorização e cooperação entre países são necessários para romper as redes ilícitas.
O estudo aponta que a Ásia se tornou o centro de um comércio ilegal de fauna que se estende a mais de 100 países. Análises de 2000 a 2019 mostram redes complexas que se adaptam rapidamente, alterando rotas e fontes conforme a fiscalização e as condições do mercado mudam. O trabalho foi publicado na revista Conservation Biology.
Pesquisadores analisaram dados de apreensões vindos do TRAFFIC e informações de comércio legal da base de CITES. O objetivo foi mapear origens, destinos e rotas, revelando uma rede altamente resiliente, capaz de se reorganizar diante de intervenções legais.
A ampliação dos vínculos econômicos entre continentes intensificou o fluxo de produtos de fauna silvestre. Entre 2000 e 2019, o número de países envolvidos subiu de 49 para 110, e as conexões comerciais cresceram mais de 400%. Asia, África e Europa aparecem como polos centrais.
Asia, hoje, centro do comércio ilegal
O estudo aponta que a Ásia lidera a demanda por espécies de alto valor, como pangolins, rinocerontes, grandes felinos e répteis usados na medicina tradicional. A Europa continua como grande mercado para produtos legais e ilegais, incluindo peles e animais vivos.
A pesquisa também destaca a volatilidade das redes: rotas de transporte, espécies alvo e modos de deslocamento mudam conforme pressões de fiscalização e condições de mercado. Mesmo com restrições, o tráfico se mostra capaz de contornar barreiras sanitárias.
Os autores ressaltam que os dados oficiais são apenas parte da realidade. Muitas apreensões não são registradas, e animais menos chamativos, como anfíbios e insetos, costumam passar despercebidos. A estimativa real é, portanto, maior do que indicam os registros analisados.
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