- Dados da missão InSight, da Nasa, indicam que Marte está girando mais rápido, com aceleração de cerca de 4 milésimos de segundo de arco por ano.
- A hipótese mais recente, publicada no Journal of Geophysical Research: Planets, envolve uma anomalia de massa negativa no manto sob a região de Tharsis, onde ficam os maiores vulcões.
- Marte não possui placas tectônicas ativas; o magma permanece concentrado na mesma região por milhões de anos, favorecendo grandes elevações.
- Segundo os pesquisadores, uma pluma de material quente pode subir do interior até a litosfera, redistribuindo massa e, ao ficar perto do equador, aproximar o núcleo do eixo de rotação, acelerando o giro.
- A confirmação depende de futuras medições gravitacionais e sísmicas; há incertezas, como a viscosidade do manto marciano, que precisam ser sanadas com novas missões.
Marte está girando mais rápido, segundo estudo recente que analisa dados da missão InSight, da Nasa. A rotação do planeta acelera em aproximadamente 4 milésimos de segundo de arco por ano, um ritmo que até então intrigava cientistas.
Pesquisadores já haviam sugerido que mudanças de massa na superfície, como o recuo ou o acúmulo de gelo nas calotas, poderiam explicar a variação. Essas hipóteses envolviam redistribuição de massa, afetando o eixo de giro.
Nova hipótese aponta para uma grande anomalia de massa no manto sob a região de Tharsis, onde se concentram os maiores vulcões do Sistema Solar. Ali, uma pluma de material quente poderia subir do interior até a litosfera.
Anomalia no manto pode explicar o ritmo de Marte
Com base em simulações utilizando dados sísmicos e gravitacionais, os pesquisadores sugerem uma região de densidade menor que o entorno, próxima ao equador. O movimento dessa estrutura pode retirar massa do centro e aproximá-la do eixo de rotação.
Segundo Bart Root, da Universidade de Tecnologia de Delft, a dinâmica da massa elevada perto do equador acelera o giro marciano ao deslocar o centro de massa. A hipótese envolve menos densidade ascendendo e mais densidade descendendo.
Caso a hipótese se confirme, Marte manteria calor interno suficiente para movimentos no manto. Contudo, os pesquisadores ressaltam incertezas, principalmente sobre a viscosidade do manto marciano, ainda pouco conhecida.
Novas missões com foco em medições gravitacionais e sísmicas seriam necessárias para confirmar a explicação, avaliam os autores. O desenvolvimento depende de dados adicionais para reduzir lacunas no conhecimento do interior do planeta.
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