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Relação entre DIU hormonal e câncer de mama é investigada

Estudos associam DIU hormonal a aumento relativo do risco de câncer de mama, mas o risco absoluto continua baixo e exige cautela na interpretação

O DIU é um método contraceptivo de longa duração inserido no útero e disponível em duas principais versões: de cobre e hormonal; na imagem, um DIU hormonal
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  • Estudos sugerem aumento relativo do risco de câncer de mama entre usuárias do DIU hormonal, com 40% na Dinamarca (mais de 150 mil mulheres) e 38% na Coreia do Sul, mas o aumento absoluto é baixo.
  • Os números devem ser interpretados com cautela, pois fatores como obesidade, álcool e histórico familiar influenciam o risco; o que se observa em estudos é relativo, não necessariamente causal.
  • O DIU hormonal oferece alta eficácia contraceptiva (falha abaixo de um por cento) e pode durar de três a cinco anos; o DIU de cobre dura até dez anos.
  • No Brasil, a adoção desses dispositivos é baixa; apenas cerca de 3,8% das brasileiras usavam DIU em 2019, e poucas unidades de saúde públicas realizam a inserção.
  • Além da contracepção, o DIU hormonal é utilizado para tratar sangramento uterino aumentado e pode reduzir a necessidade de cirurgias, mas é contraindicado para quem já teve câncer de mama.

O DIU hormonal é investigado há anos quanto à possível relação com o câncer de mama. Estudos epidemiológicos apontam uma associação estatística entre o uso do dispositivo liberador de levonorgestrel e aumento relativo do risco, mas especialistas destacam cautela na interpretação desses números.

Entre os trabalhos mais citados, um estudo dinamarquês de 2024 com mais de 150 mil mulheres mostrou aumento relativo de 40% no risco de câncer de mama entre usuárias do DIU hormonal, após ajustes. Outro estudo sul-coreano, de 2025, acompanhou mulheres de 30 a 49 anos e encontrou aumento relativo de 38% no mesmo grupo de usuárias.

Contudo, especialistas ressaltam que o aumento absoluto é baixo e comparable a outros fatores de risco. O oncologista Diogo Sales, do Einstein Hospital, afirma que o risco relativo deve ser entendido dentro do contexto de fatores como obesidade, álcool e histórico familiar.

Impacto clínico e interpretação dos números

A possível ligação envolve o papel dos hormônios sexuais no crescimento celular mamário, já que o tecido da mama reage a estrogenos e progesterona. Ainda assim, estudos observacionais têm limitações para isolar a influência do DIU de outros fatores de risco.

Para quem já utiliza o DIU hormonal, o acompanhamento médico é essencial. O dispositivo pode ser contraindicado para mulheres com histórico de câncer de mama, por potenciais efeitos sistêmicos. Em contrapartida, o DIU também oferece benefícios, como proteção contra o câncer de endométrio e redução de sangramentos uterinos.

Eficácia, duração e acesso

O DIU hormonal oferece alta eficácia contraceptiva, com falha inferior a 1%, e pode permanecer no corpo por 3 a 5 anos. O DIU de cobre tem duração de até 10 anos e atua de modo diferente, liberando íons de cobre em resposta à espermatozoide. No Brasil, o uso ainda é relativamente baixo, com cerca de 3,8% das brasileiras recorrendo a esse método em 2019, segundo dados da PNS.

O acesso no sistema público também é limitado: levantamento recente aponta que apenas 19,7% das Unidades Básicas de Saúde realizam a inserção do DIU, o que contribui para a baixa utilização do método no país. Além da contracepção, o DIU hormonal é utilizado para tratar condições como sangramento uterino aumentado.

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