- Pesquisadores identificaram que o parasita Plasmodium falciparum possui cristais ricos em ferro que se movem dentro das células como motores de foguete.
- O movimento ocorre enquanto o organismo está vivo e para após a morte do parasita, com rotação, choques entre os cristais e trajetórias rápidas e imprevisíveis.
- O impulso vem da decomposição do peróxido de hidrogênio, que produz água, oxigênio e energia suficiente para manter os cristais em movimento.
- Esse “motor”Biológico é essencial para o parasite, ajudando a neutralizar o peróxido de hidrogênio, gerenciar ferro e evitar o acúmulo dos cristais; pode ser alvo de novos fármacos.
- Em ambientes com menos oxigênio, a produção de peróxido de hidrogênio cai e os cristais movem-se mais lentamente; estudo publicado na PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences) em 2025, liderado por Erica M. Hastings.
O estudo revelou que o parasita causador da malária, o Plasmodium falciparum, possui estruturas internas que funcionam como motores de foguete em miniatura. A descoberta foi publicada em 2025 na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), conduzida por Erica M. Hastings e equipe. O movimento ocorre dentro das células do parasita e depende de uma reação química específica.
Durante a vida do parasita, cristais ricos em ferro giram, colidem e se deslocam de forma rápida e imprevisível. Ao morrer, esse movimento para. A pesquisa investiga por que esse comportamento persiste quando o organismo está vivo, abrindo caminho para novas leituras sobre a biologia do parasita.
O mecanismo por trás do impulso
Os cientistas identificaram que a movimentação dos cristais é alimentada pela decomposição do peróxido de hidrogênio, que gera água, oxigênio e energia suficiente para impulsionar os cristais. O processo é análogo a um sistema de propulsão de foguetes, algo sem precedentes em organismos vivos.
Esse propulsor interno cumpre funções vitais para a sobrevivência do parasita. Entre os benefícios estão a neutralização de peróxido de hidrogênio tóxico, o controle de ferro potencialmente nocivo e a prevenção do acúmulo de cristais, que manteria o metabolismo estável.
Implicações terapêuticas e tecnológicas
Especialistas apontam que o mecanismo difere de processos celulares humanos, tornando-o alvo atrativo para fármacos. Em teoria, bloquear a reação poderia interromper o movimento dos cristais e aumentar o estresse interno do parasita, favorecendo sua destruição.
Além da saúde, a descoberta inspira aplicações em nanotecnologia. Os cristais autopropelidos são vistos como exemplos iniciais de nanopartículas metálicas em sistemas biológicos, com potencial para robôs microscópicos e entrega precisa de medicamentos.
Perspectivas futuras
O estudo reforça a ideia de que avanços no combate à malária podem vir de insights sobre mecanismos microscópicos. A reprodução dessa linha de pesquisa pode abrir caminhos para tratamentos mais específicos, com menos efeitos colaterais, além de novas soluções tecnológicas inspiradas na natureza.
Entre na conversa da comunidade