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Trimestre zero: entenda a nova tendência que alerta sobre fertilidade

Especialistas alertam que o “trimestre zero” não transforma fertilidade saudável e intervenções radicais podem desregular hormônios e aumentar ansiedade

Fotografia de uma mulher segurando um teste de gravidez.
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  • A tendência “trimestre zero” ganhou força no TikTok, com promessas de preparar o corpo em três meses antes de tentar engravidar, incluindo mudanças de estilo de vida, dieta, suplementos e rotina de saúde.
  • A ciência aponta que o óvulo e o espermatozoide levam cerca de noventa dias para amadurecer; mudanças nesse período podem influenciar a qualidade das células, mas não garantem fertilidade, sobretudo em quem já está saudável.
  • Riscos aparecem com dietas restritivas, perda de peso rápida e treino intenso: podem atrapalhar a ovulação e aumentar ansiedade; a concepção não é totalmente controlável, com casais saudáveis tendo de 20% a 25% de chance por ciclo.
  • Limites biológicos: a qualidade dos óvulos não se altera significativamente em três meses; a reserva ovariana é definida antes do nascimento e não se amplia com mudanças de estilo de vida.
  • O que realmente faz diferença: parar de fumar, reduzir álcool, manter peso estável, tomar ácido fólico e evitar disruptores endócrinos em cosméticos; controle de doenças crônicas e acompanhamento médico são essenciais.

Nos últimos meses, uma tendência das redes sociais ganhou força entre quem busca engravidar. No TikTok, criadores promovem o chamado “trimestre zero”, um período de três meses antes da concepção dedicado a mudanças intensas em saúde, dieta, rotinas e suplementos.

A promessa é atrativa: preparar o corpo para ampliar a fertilidade, melhorar a qualidade dos óvulos e reduzir o risco de aborto espontâneo. Em vídeos, há dietas restritivas, exercícios planejados, listas de suplementos e até a eliminação de cosméticos considerados tóxicos.

Embora tenha base biológica, especialistas alertam que três meses de mudanças dramáticas nem sempre mudam a fertilidade. Uma revisão de 2025 com 7.795 mulheres mostrou que intervenções no estilo de vida não aumentaram significativamente as taxas de gestação entre quem já era saudável.

O que a ciência diz

O conceito reconhece que o óvulo e o espermatozoide levam cerca de 90 dias para amadurecer, e fatores vividos nesse período podem influenciar as células reprodutivas. Contudo, o efeito não é universal e não transforma saúde já preservada.

Para quem tem obesidade, infertilidade diagnosticada ou problemas metabólicos, há benefícios potenciais na prática, segundo médicos. Em pessoas sem esses fatores, o “trimestre zero” funciona como correção de risco, não como mágica de fertilidade.

Riscos de radicais e pressões

Rotinas radicais podem desregular o eixo hormonal responsável pela ovulação. Emagrecimento muito rápido, restrição calórica severa e treinos intensos podem suprimir a função ovariana e gerar anovulação. A ansiedade pré-concepção também pode dificultar a fertilidade.

Profissionais destacam que a ideia de controle total sobre a gravidez é enganosa. Mesmo casais saudáveis têm de 20% a 25% de chances de conceber em cada ciclo. A pressão de alcançar números exatos pode causar sofrimento desnecessário.

Limites biológicos

A crença de que é possível melhorar significativamente a qualidade dos óvulos em três meses encontra limites biológicos. Processos como integridade cromossômica e regulação genética não são facilmente revertidos em curto prazo, dizem especialistas.

A reserva ovariana, determinada antes do nascimento, diminui com o tempo. Modificações de estilo de vida podem modular o ritmo do declínio, mas não rejuvenescer óvulos já existentes. Promessas sobre redução de aborto espontâneo também não se sustentam na maioria dos casos.

O papel do homem

A fertilidade envolve o casal. Fatores masculinos influenciam até metade dos casos de infertilidade. Tabagismo, álcool, obesidade, sono inadequado e doenças crônicas prejudicam a qualidade do sêmen. Ignorar o homem deixa metade do problema sem tratamento.

O que pode fazer diferença

Mudanças moderadas, como parar de fumar, reduzir álcool e manter peso adequado, podem reduzir riscos de malformações, aborto e complicações. O ácido fólico antes da gravidez é recomendado para diminuir defeitos no tubo neural e melhorar as chances de concepção.

Alguns suplementos populares não apresentam benefícios comprovados se não houver deficiência nutricional. Cuidados com cosméticos e higiene pessoal também são relevantes, pois substâncias como disruptores endócrinos podem afetar a função reprodutiva.

Medidas adicionais incluem controle de doenças crônicas, atualização de vacinas quando indicado, saúde mental e acompanhamento médico regular. Para quem já mantém boa saúde, três meses podem ser suficientes para adotar medidas básicas.

Denis Wajman, ginecologista do Einstein Hospital, frisa que o cuidado com a saúde reprodutiva deve ser contínuo ao longo da vida fértil, não apenas nos três meses antes de tentar engravidar. Cada consulta é oportunidade de identificar fatores de risco.

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