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Acesso global à cirurgia de catarata avança, mas milhões ainda sem tratamento

Estudo global aponta aumento estimado de apenas 8,4 p.p. até 2030, revelando desigualdades por renda e gênero e desafios na qualidade da cirurgia de catarata

Um olho de uma mulher idosa em close
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  • A meta da Organização Mundial da Saúde para 2030 é aumentar em trinta pontos a qualidade e a cobertura da cirurgia de catarata; o estudo global projeta ganho de apenas oito,4 pontos entre 2020 e 2030.
  • Existem desigualdades entre regiões: acesso mais amplo em países de alta renda e barreiras como falta de especialistas, serviços limitados e custos elevados para grupos pobres.
  • Há diferença de acesso entre gêneros: mulheres, em alguns países, enfrentam menor acesso ao tratamento.
  • A qualidade do cuidado pós-operatório é destacada: erros refrativos residuais contribuíram para parte dos desfechos visuais ruins, indicando a necessidade de melhor refração e correção óptica.
  • A pesquisa analisou 233 levantamentos em 68 países (2003 a 2024), com dados do Global Vision Database, buscando padronizar a definição de cobertura cirúrgica efetiva e melhorar a avaliação da qualidade da linha de cuidado.

Acesso mundial à cirurgia de catarata avança, mas milhões ainda ficam sem tratamento. O estudo internacional publicado na Lancet Global Health aponta que a meta da OMS para 2030 é pouco provável de ser atingida, com ganho estimado em 8,4 pontos percentuais até lá. Desigualdades econômicas e de gênero aparecem como entraves.

A catarata continua a principal causa de cegueira evitável no mundo. A cirurgia é considerada segura, eficaz e de baixo custo, mas fatores como falta de especialistas, serviços limitados e altos custos dificultam o acesso, especialmente entre populações mais pobres.

Pesquisadores analisaram dados de 233 levantamentos em 68 países entre 2003 e 2024, com adultos geralmente com 50 anos ou mais. A padronização das métricas permitiu comparar necessidade, cobertura cirúrgica efetiva e resultado visual pós-operatório.

Desigualdades persistentes

Segundo o estudo, há avanço relativo no acesso global desde os anos 2000, mas as lacunas permanecem. Países de alta renda têm maior cobertura, ao passo que regiões de baixa renda enfrentam escassez de especialistas e custos elevados.

A pesquisa também aponta desigualdade de gênero, com menor acesso a mulheres em vários contextos. Fatores estruturais, como autonomia econômica menor e maior responsabilidade de cuidado, podem explicar parte dessa diferença.

Qualidade do cuidado ao longo da linha assistencial é outro ponto-chave. Operar bem envolve refração adequada e manejo de complicações, além da disponibilidade de óculos quando necessários.

Os pesquisadores ressaltam que a cirurgia de catarata é custo-efetiva, mas a distância entre cobertura cirúrgica e cobertura efetiva persiste. Melhor refração pós-operatória pode aumentar a efetiva resolução visual.

Caminhos futuros

As próximas etapas incluem ampliar dados de países pouco representados e aprofundar a avaliação da qualidade do cuidado. A agenda prática foca em identificar falhas na linha de cuidado e como corrigi-las.

A equipe brasileira envolvida destacou a importância de medir comparavelmente entre países para entender onde o acesso falha e como melhorar resultados visuais a partir da cirurgia.

Este estudo reforça a necessidade de políticas públicas que equilibrem acesso, custo e qualidade, mantendo o foco na visão saudável como direito humano global.

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