- Estudo divulgado pela Frontiers in Conservation Science acompanha um projeto de restauração de 30 anos em uma encosta de 28 hectares nos Himalaias ocidentais, no estado de Uttarakhand, Índia, conduzido com participação das comunidades locais.
- O sítio Surya-Kunj, criado com apoio de pesquisadores, hoje abriga mais de 160 espécies de aves, mais de 100 de borboletas e plantas medicinais, gerando usos para alimentação, medicina e sustento das comunidades vizinhas.
- Ao longo do projeto, 190 espécies foram plantadas (representando 51% das 372 espécies nativas da região); 52% dessas espécies sobrevivem, e 88 já se estabelearam o suficiente para crescer naturalmente.
- O manejo incluiu ações de proteção de espécies nativas, além de plantio de espécies não nativas; as autoridades destacam o papel da participação comunitária para o sucesso da restauração.
- Desafios persistentes incluem depredação por javalis, risco de incêndio em épocas secas e necessidade de manejo de turismo sustentável para evitar escassez de água, ainda assim a área já gera empregos locais e conservação de espécies raras.
A restauração florestal liderada pela comunidade no Himalaia indica resultados positivos após três décadas de trabalho. Um projeto de recuperação de terras ocorreu em uma encosta de 28 hectares nas Western Himalayas, no estado de Uttarakhand, na Índia, com participação de comunidades locais e pesquisadores.
O estudo, publicado na Frontiers in Conservation Science, documenta a evolução desde 1992. A área, antes dominada por arbustos e pinheiros monoculturais usados para resina e madeira, apresentava alto risco de incêndios e degradação do solo.
Surya-Kunj como modelo de restauração
A equipe envolvida criou o sítio Surya-Kunj, em referência ao Katarmal Sun Temple, a cerca de 12 km de distância. O local funciona como modelo para restauração de florestas e como Centro de Interpretação da Natureza e Aprendizagem (NILC).
Envolvimento da comunidade e educação
Além de tornar-se área de conservação, o sítio tem promovido educação ambiental com oficinas para estudantes e pesquisadores. Ao todo, mais de 60 oficinas já foram realizadas, envolvendo mais de 5 mil participantes.
Biodiversidade e espécies plantadas
Os pesquisadores plantaram 190 espécies, representando 51% das 372 plantas nativas da região ocidental do Himalaia. Também houve inserção de espécies não nativas para diversificação ecológica, com resultados de longo prazo monitorados até 2024.
Desempenho de espécies nativas vs. não nativas
Os dados apontam maior desempenho de espécies nativas ao longo do tempo, com taxa de sobrevivência de 62% contra 38% das não nativas. A diversidade de plantas contribuiu para a estabilidade do ecossistema.
Espécies de maior importância
Entre espécies destacadas estão o teixo-do Himalaia, a planta medicinal rara Podophyllum hexandrum e a orquídea Habenaria intermedia. O sítio mantém também as cinco espécies de carvalho da região, fortalecendo o papel genético da área.
Conservação de fauna e recursos
A restauração sustenta mais de 160 espécies de aves e mais de 100 de borboletas. Além disso, plantas medicinais fornecem recursos para a população local, contribuindo para subsistência e manejo de recursos naturais.
Impactos para a população local
A participação comunitária incluiu remuneração para incentivar o envolvimento. Culturas locais passaram a oferecer hábitats para vida selvagem, plantio de herbáceas medicinais e atividades de turismo sustentável, com ganhos de emprego na região.
Desafios e perspectivas
Desafios permanecem: danos de roedores e predadores a mudas, risco de incêndios e necessidade de gestão de turismo para evitar escassez de água no período seco. A continuidade do monitoramento é considerada essencial.
Conclusões do estudo
Os autores destacam que o Surya-Kunj demonstra que a restauração baseada na participação comunitária pode promover regeneração natural, biodiversidade e serviços ecossistêmicos. O modelo serve de referência para iniciativas semelhantes na região.
Fontes e créditos
A pesquisa envolve a GBP-NIHE, ligada ao ministério do Meio Ambiente, com coautoria de pesquisadores e especialistas de universidades locais. Dados detalhados aparecem na publicação científica associada ao tema.
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