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Como 11 homens surdos ajudaram a NASA nos primeiros voos espaciais

Os Onze de Gallaudet, voluntários surdos, ajudaram a NASA a entender o enjoo de movimento, contribuindo para a segurança dos primeiros voos espaciais

Fotografia dos homens surdos que ajudaram moldar o programa de voos espaciais tripulados da NASA.
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  • No fim dos anos cinquenta, a Nasa usou 11 homens surdos, conhecidos como Onze de Gallaudet, para entender o enjoo de movimento durante a corrida espacial.
  • Os voluntários participaram de testes em Pensacola, com sala de rotação lenta, centrífugas e voos parabólicos que simulavam gravidade zero.
  • Eles tinham perdido a audição por meningite espinhal, o que afetou o sistema vestibular; isso tornava menos provável o enjoo de movimento em determinadas situações.
  • Em quarenta e seis, dez dos onze participaram de uma travessia de cerca de 320 quilômetros pelo Atlântico Norte, enfrentando mares e ventos fortes, ainda assim sem desenvolver enjoo significativo.
  • Os estudos mostraram que o cérebro pode se orientar mais pela visão quando a gravidade não está presente; a história ganhou atenção pública a partir de 2017, com exposição na Universidade Gallaudet.

Em meio à corrida espacial, a NASA recorreu a um grupo inusitado para entender os efeitos da gravidade zero no corpo humano. Foram 11 homens surdos, conhecidos como os Onze de Gallaudet, que participaram de testes cruciais entre 1958 e 1968.

O grupo foi recrutado no então Gallaudet College, em Washington, D.C. Os voluntários tinham ficado parcialmente ou totalmente surdos após meningite espinhal, o que afetou o sistema vestibular e reduziu o enjoo de movimento. Assim, tornaram-se candidatos ideais para experimentos extremos.

Os experimentos ocorreram principalmente nas instalações da Marinha em Pensacola, na Flórida, sob a liderança de Ashton Graybiel, especialista em medicina aeroespacial. Medições médicas, testes de visão, movimentos oculares e avaliações de equilíbrio fizeram parte do protocolo.

Métodos de pesquisa e descobertas

Entre os testes, destacava-se a Sala de Rotação Lenta, um espaço circular que girava por dias, simulando ambientes sem gravidade. Os voluntários realizavam tarefas simples como caminhar em linha reta, arremessar objetos e encaixar itens.

Outras experiências envolviam centrífugas, testes de inclinação e transporte por trilhos, simulando acelerações encontradas em veículos espaciais. Em voos parabólicos, a equipe vivenciou curtos períodos de gravidade zero sem colocar a saúde em risco.

Em muitos casos, o enjoo de movimento quase não apareceu entre os participantes, diferente do observado em voos comerciais tradicionais, popularmente chamados de “Cometa do Vômito”. A diferença se devia à ausência temporária de sinais do sistema vestibular em funcionamento.

Jornada marítima e aporte científico

Um episódio marcante ocorreu em 1964, quando dez dos onze voluntários viajaram a bordo de um rebocador pelo Atlântico Norte, enfrentando ondas de até 12 metros. A travessia de cerca de 320 quilômetros foi escolhida para observar respostas do corpo a movimentos contínuos.

Enquanto a tripulação enfrentava enjoo, os Onze de Gallaudet permaneceram estáveis, permitindo aos pesquisadores entender como a visão, o equilíbrio e a propriocepção se reorganizam quando a gravidade não guia o corpo.

Esses resultados ajudaram a compreender que a percepção espacial depende menos de sinais vestibulares que da integração entre visão e outros sentidos. Assim, contribuíram para a segurança de futuras missões tripuladas.

Legado e reconhecimento

A história só ganhou visibilidade pública muitos anos depois. Em 2017, a Universidade Gallaudet abriu uma exposição dedicada aos voluntários, com fotos, cartas, relatórios e vídeos das experiências realizadas entre 1958 e 1968.

Três membros ainda compareceram à abertura: Harry Larson, Barron Gulak e David Myers. Hoje, os Onze de Gallaudet são lembrados como um grupo improvável que ajudou a viabilizar o programa de voos espaciais tripulados, mesmo sem viajar ao espaço.

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