- A Michelin concedeu pela primeira vez três estrelas a dois restaurantes brasileiros: Evvai e Tuju, ambos de São Paulo, além de manter Tuju entre os que recebem a Estrela Verde, junto de Corrutela e A Casa do Porco.
- Tuju foi o grande destaque da noite, conquistando três estrelas pela primeira vez na história da América Latina e mantendo a Estrela Verde.
- Tuju também lidera com o Centro de Pesquisa e Criatividade Tuju, instituto que funciona como escola desde dois mil e vinte e oferece cursos com bolsas para quem não pode pagar. O cardápio é guiado pelos ciclos das chuvas: Umidade, Chuva, Ventania e Seca.
- Corrutela adota desperdício zero, com compostagem, máquina que desidrata resíduos orgânicos e reaproveitamento total de cascas, talos e cascas para caldos e molhos.
- A Casa do Porco, embora sem estrelas Michelin tradicionais, é reconhecida pela sustentabilidade ao controlar toda a cadeia alimentar, criando porcos de raça brasileira e oferecendo menus sazonais, incluindo opção vegetariana.
A Guia Michelin confirmou, na noite de entrega do Guia 2024-2025, que três restaurantes brasileiros aparecem pela primeira vez com a Estrela Verde, destinada a práticas sustentáveis. A cerimônia ocorreu no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, com destaque para a cidade de São Paulo.
Entre os reconhecidos, Evvai e Tuju alcançaram três estrelas Michelin, o maior nível de excelência, o que marca a primeira vez na história da América Latina que dois restaurantes brasileiros recebem esse feito no mesmo ano. A dupla compõe o seleto grupo global.
A Estrela Verde aponta que, além do prato, são avaliadas gestão de resíduos, produção própria, bem-estar animal e relações com produtores; o objetivo é reduzir desperdícios e incentivar consumo consciente. Ao todo, mais de 500 restaurantes já possuem a honraria no mundo.
Tuju
O Tuju, em São Paulo, foi o grande protagonista da noite e também o único brasileiro com um instituto de pesquisa interna. O Centro de Pesquisa e Criatividade Tuju integra chefs, produtores e pesquisadores para estudar sazonalidade, território e culinária paulistana.
Desde 2025, o espaço funciona como escola, com bolsas disponíveis para quem não pode pagar o curso. O cardápio é definido pelos ciclos das chuvas — Umidade, Chuva, Ventania e Seca — em vez das estações. Os pratos priorizam ingredientes locais e reduzem desperdícios.
O restaurante mantém práticas como coleta seletiva, compostagem e uso de água da chuva para irrigação do jardim. O menu degustação custa R$ 1.500, com opções de harmonização entre R$ 550 e R$ 2.100. Local: Rua Frei Galvão, 135, Jardim Paulistano.
Corrutela
No Corrutela, o chef César Costa implementa uma filosofia de desperdício zero. Restos de comida viram adubo para hortas, e resíduos orgânicos ganham desidratação que reduz o volume em até 90%.
Cascas viram caldos, talos de ervas entram em molhos, todos os ingredientes são aproveitados ao máximo. O cardápio é pautado pela sazonalidade e o estoque é feito com controle rigoroso para evitar excessos. O restaurante já figurou entre os 50 melhores da América Latina.
Local: Rua Medeiros de Albuquerque, 256, Vila Madalena, São Paulo.
A Casa do Porco
Inaugurada em 2015, a Casa do Porco destaca uma cozinha brasileira conceitual, com os porcos no centro da proposta. Embora ainda não tenha estrelas Michelin tradicionais, integra o grupo de sustentabilidade do guia por controlar a cadeia produtiva, inclusive criando porcos de raça brasileira com práticas regenerativas.
O cardápio é sazonal, com menus degustação de até oito etapas. Há também uma opção 100% vegetariana que recria clássicos da casa. Local: Rua Araújo, 124, República, São Paulo.
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