- Estudos com camundongos da USP mostram que a proteína XPC, ligada ao reparo de DNA, é essencial para a diferenciação e a função das células Th17, protegendo-as do estresse oxidativo.
- A ausência de XPC aumenta o dano no DNA e impede a maturação das células Th17, reduzindo a inflamação em modelo de colite intestinal.
- Sem XPC, as células Th17 podem se transformar em linfócitos T reguladores (Treg), o que diminui a resposta inflamatória.
- a pesquisa, publicada na Nature Communications, contou com apoio da FAPESP e colaboração internacional, conectando reparo de DNA e imunologia.
- Futuramente, o estudo pretende investigar pacientes com xeroderma pigmentoso e explorar terapias que modulam o XPC para doenças inflamatórias, autoimunes e câncer.
A USP identificou um mecanismo essencial para a sobrevivência e função das células de defesa. Em camundongos, pesquisadores observaram como a proteína XPC, ligada ao reparo de DNA, sustenta a atuação de linfócitos T sob estresse oxidativo intenso. A descoberta explica como o material genético é preservado durante a ativação imune.
O estudo mostrou que a XPC também participa da diferenciação dos linfócitos T. Ao manter o reparo do DNA, a proteína evita danos que comprometeriam a formação de células Th17, importantes na defesa contra bactérias e fungos em vias como pele e intestino.
O trabalho foi coordenado pelo professor Niels Olsen Saraiva Câmara, da USP, com apoio da FAPESP. Contou com colaboração de UFRJ, UFG, Unifesp, além de universidades alemãs e da Harvard Medical School.
Em modelo de inflamação intestinal, camundongos com reparo de DNA funcional desenvolveram colite, associada à atividade das Th17. Animais sem XPC não inflamaram, pois as células não se diferenciaram ou funcionaram adequadamente.
Conexão entre reparo de DNA e imunidade
Os pesquisadores destacam que a ausência de XPC levou as células Th17 a adquirirem características de linfócitos T reguladores (Treg), que atuam de forma anti-inflamatória. Essa plasticidade pode influenciar o equilíbrio imune.
O xeroderma pigmentoso, doença genética rara em que a XPC não funciona, já era conhecido. Pacientes apresentam alto risco de câncer de pele por dano solar e, segundo o estudo, podem ter suscetibilidade aumentada a infecções devido à disfunção de Th17.
A pesquisa aponta que o sistema imune depende do reparo de DNA para funcionar corretamente. A falha nesse reparo pode favorecer tanto mutações quanto uma resposta inflamatória desequilibrada.
Próximos passos
A equipe pretende avançar para estudos em humanos, investigando o sistema imune de pacientes com xeroderma pigmentoso. Atualmente, já há uma coorte de dez pacientes para as primeiras análises.
Outra linha envolve explorar o potencial terapêutico da modulação do XPC em células Th17, visando reduzir inflamação ou reprogramá-las para perfil regulador.
Planos também incluem avaliar o papel do XPC em outras doenças, como autoimunidade, câncer e resposta a vacinas, com indícios iniciais de que animais sem XPC não apresentam sinais de esclerose múltipla quando modelados para a doença.
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