- Pesquisadores liderados por Giacomo Delgado usaram bioacústica para avaliar a restauração ambiental na Costa Rica, comparando áreas protegidas, em recuperação pelo PES e outras formas de uso da terra.
- Foram coletadas cerca de 16.658 horas de áudio em 119 locais na Península de Nicoya, cobrindo florestas protegidas, regeneração natural, plantações de monocultura e pastagens.
- Florestas regeneradas naturalmente sob o PES apresentaram perfis sonoros muito semelhantes aos das florestas protegidas, 1,4 vez mais parecidas do que com pastagens.
- A biodiversidade em plantações de monocultura também apresenta recuperação, porém menos intensa que nas áreas naturalmente regeneradas.
- Os pesquisadores pretendem ampliar o estudo pelo país, analisando 600 florestas com mais de dezesseis anos de dados para identificar os principais fatores que impulsionam a recuperação.
Ao usar a bioacústica, uma equipe liderada por Giacomo Delgado avaliou se a vida dentro de florestas em Costa Rica está se recuperando além da simples cobertura de árvores. A comparação é entre sons de florestas saudáveis e ambientes em recuperação.
Delgado, pesquisador do ETH Zürich, explica a ideia: ouvir o coração da floresta para entender a saúde do ecossistema. O método busca padrões sonoros que indiquem biodiversidade ativa e funcionamento do habitat.
O estudo utilizou quase 16,7 mil horas de gravações em 119 locais na Península de Nicoya, no noroeste do país. Os gravadores foram deixados por uma semana em áreas protegidas, em recuperação via PES, em monoculturas e pastagens.
Contexto histórico
Costa Rica viu a cobertura florestal cair de 50% em 1950 para 25% em 1995, com expansão da pecuária e da agricultura nos anos 70 e 80. A partir de 1997, o país criou um programa de pagamentos por serviços ambientais (PES).
Programa PES e avaliação
O PES remunera proprietários e comunidades locais pela proteção de florestas. O estudo compara áreas com PES a florestas protegidas, buscando entender se a recuperação envolve biodiversidade.
A amostra incluiu 50 florestas que se regeneraram naturalmente, sem intervenção humana recente, com restauração entre 25 e 42 anos. Os resultados indicam similaridade acústica entre áreas recuperadas e florestas protegidas.
Resultados de biodiversidade
As florestas regeneradas sob PES apresentaram perfis sonoros muito próximos aos das áreas protegidas, sendo 1,4 vezes mais parecidas com florestas protegidas do que com pastagens. Picos de atividade sonora ocorrem ao nascer e ao pôr do sol.
Biodiversidade em plantações de monocultura também mostrou recuperação, porém menos intensa. Em compensação, áreas sob manejo intensivo apresentaram menos ritmo sonoro geral.
Implicações e próximos passos
Especialistas destacam que o uso de som permite medir a qualidade ecológica, não apenas a área física da floresta. Perguntas permanecem sobre o que ocorreria sem o PES e se o som mudaria sem os incentivos.
Os pesquisadores pretendem expandir o estudo por todo o país, com dados de 600 florestas e 16 anos de gravações. O objetivo é identificar fatores que impulsionam a recuperação e a biodiversidade.
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