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Milhares de peixes sobem cachoeira no Congo, desafiando a gravidade

Peixe-concha Parakneria thysi escala cachoeira de quinze metros no Congo, subida que pode durar quase dez horas, primeira espécie documentada na África

Uma espécie de pequeno peixe foi observada por milhares de pessoas escalando uma cachoeira vertical de 15 metros de altura na República Democrática do Congo, em um comportamento que ilustra as maneiras surpreendentes e engenhosas pelas quais os animais podem se adaptar a ambientes extremos
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  • Em república democrática do Congo, milhares de pessoas acompanharam a ascensão de Parakneria thysi, peixe-concha, pelas Cataratas de Luvilombo, que têm cerca de quinze metros de altura.
  • A subida ocorre durante as cheias sazonais do fim da estação chuvosa, com peixes de pequeno a médio porte entre três e quatro centímetros, e pode levar quase dez horas.
  • Os animais agarram as rochas úmidas com as nadadeiras peitorais, apoiam-se nas nadadeiras pélvicas e usam projeções em forma de gancho, chamadas unculos, para se fixar e subir com balanços.
  • A escalada é arriscada: jatos de água podem derrubá-los; quem cai sobre as rochas pode não sobreviver, enquanto quedas na base da cachoeira podem permitir nova subida, dada a força do fluxo.
  • A descoberta marca a primeira documentação na África desse comportamento, destacando a necessidade de conservar os cursos d’água da Bacia do Congo e apontando ameaças como pesca com redes mosqueteiras e captação de água para irrigação.

Um peixe-da-escada foi visto escalando uma cachoeira de 15 metros na República Democrática do Congo, em um fenômeno observado por milhares de pessoas. A espécie Parakneria thysi subiu pela face rochosa durante o período de cheias sazonais, no final da estação chuvosa.

Segundo os pesquisadores, os indivíduos de pequeno a médio porte, com cerca de 3,7 a 4,8 cm, realizaram a subida ao longo de várias horas. O trajeto foi feito em curtos deslocamentos intercalados por períodos de descanso, com o grupo em análise destacando a dificuldade de subir para peixes maiores.

O estudo foi conduzido entre 2018 e 2020, nas Cataratas de Luvilombo, na bacia superior do Congo. A região abriga a segunda maior floresta tropical do mundo e representa um sistema fluvial vital para a biodiversidade local.

Para a subida, os peixes agarraram rochas úmidas com as nadadeiras peitorais, apoiados pelas nadadeiras pélvicas e por projeções em formato de gancho, chamadas unculos. O movimento envolve impulsos verticais combinados a movimentos de balanço do corpo.

A ascensão é lenta e arriscada. Jatos de água podem derrubar os peixes da parede, especialmente em trechos invertidos. Peixes que chegam ao topo encontram condições de vida diferentes, com menos competição e predadores próximos.

Os autores destacam que a descoberta evidencia a importância de manter a continuidade dos cursos de água na Bacia do Congo, onde há pouca literatura sobre o comportamento de peixes. Eles apontam que outras espécies podem apresentar estratégias semelhantes em habitats de correntezas rápidas.

Entre as ameaças à espécie, a pesca com redes mosqueteiras de malha fina e a retirada de água para irrigação aparecem como fatores de risco. Em anos de escassez, o nível do rio Luvilombo já recorreu a práticas que reduzem o fluxo natural.

A equipe de pesquisa também afirma haver evidências de que outras espécies locais, igualmente adaptadas a ambientes com quedas d’água, podem demonstrar capacidades semelhantes. Novos trabalhos de campo estão previstos para confirmar as observações em outras famílias de peixes.

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