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Nova espécie rara de lagarto no deserto australiano com menos de 20 indivíduos

Kungaka, nova espécie de lagarto, vive isolado em Mutawintji, Austrália, com menos de vinte indivíduos, sob pressão de cabras, predadores e clima extremo

Um kungaka espreita debaixo de uma rocha. — Foto: Tom Parkin, CC BY-ND
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  • Foi descrita como nova espécie de lagarto, Liopholis mutawintji, conhecido como kungaka pelos aborígenes Wiimpatja.
  • O animal vive em uma área isolada no Parque Nacional Mutawintji, em New South Wales, a cerca de 500 quilômetros de seus parentes mais próximos, com menos de 20 indivíduos na natureza.
  • Análises genéticas mostraram que o kungaka é uma espécie distinta de Liopholis whitii e Liopholis compressicauda, representando uma linhagem ancestral.
  • As ameaças incluem cabras selvagens que deterioram o habitat, predadores introduzidos como gatos e raposas, e mudanças climáticas que aumentam o calor e a seca.
  • As medidas sugeridas envolvem controlar cabras, gatos e raposas, buscar populações adicionais, monitoramento a longo prazo e possível reprodução em cativeiro.

O Kungaka, uma lagartixa rara, foi descrita como nova espécie após estudo em Mutawintji National Park, no oeste de Nova Gales do Sul. Conhecida pelos aborígenes Wiimpatja como kungaka, significa oculto. O registro científico recebeu o nome Liopholis mutawintji.

A descoberta, apresentada por Warlpa Thompson, Jodi Rowley e Thomas Parkin, indica que o animal pertence a uma linhagem distinta, separada de seus parentes. A análise genética e de morfologia revelou que o kungaka compõe, na prática, três espécies diferentes, com o kungaka restrito ao parque.

O Kungaka vive escondido entre paredões de arenito vermelho e hoje ocupa uma área rochosa isolada dentro de Mutawintji. A população estimada é inferior a 20 indivíduos, tornando a espécie extremamente vulnerável à extinção.

Descoberta e classificação

A equipe explica que o Kungaka era, por décadas, considerado parte de Liopholis whitii, o lagarto-do-sul. As novas evidências apontam para a separação em três espécies distintas, com Liopholis whitii e Liopholis compressicauda abrangendo grandes áreas no sudeste da Australia, enquanto Liopholis mutawintji permanece restrita ao parque.

Segundo os pesquisadores, o Kungaka representa uma linhagem ancestral que pode ter se originado em períodos mais húmidos da história australiana e se refugiou em áreas rochosas à medida que o continente secou.

Ameaças e conservação

A avaliação aponta riscos relevantes à sobrevivência. As cabras selvagens sobrepastoreiam a vegetação e destroem rochas usadas pelo lagarto para abrigo, aumentando a exposição aos predadores e a variações extremas de temperatura.

Predadores introduzidos, como gatos e raposas, também representam perigo, assim como as mudanças climáticas que elevam calor e seca na região. A preservação depende de ações coordenadas para controlar o impacto de cabras, gatos e raposas.

Os autores defendem monitoramento de populações, busca por outras ocorrências e, em função do pequeno tamanho populacional, possível reprodução em cativeiro. A cooperação entre instituições e comunidades locais é essencial para a continuidade do Kungaka.

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