- Avon usa bioimpressão para criar pele humana em Cajamar (SP) com o objetivo de estudar a menopausa e testar cosméticos.
- O modelo é feito a partir de células humanas e colágeno, formando derme e epiderme em camadas, com tecido semelhante ao natural.
- Para simular a menopausa, a equipe reduz hormônios como o estrogênio no ambiente de cultivo, gerando pele com menor produção de colágeno, maior flacidez e ressecamento.
- O projeto, iniciado em 2018, usa pele obtida de doações de cirurgias plásticas, com fibroblastos e queratinócitos cultivados em incubadoras.
- A Avon aponta que há potencial para testes de ingredientes e formulações, com a expectativa de resultados mais concretos nos próximos meses ou anos; estimativas indicam mais de oitenta milhões de mulheres nesse grupo no Brasil nos próximos dez anos.
A pele humana impressa em laboratório brasileiro reproduz efeitos da menopausa e auxilia testes cosméticos. Desenvolvida pela Avon, a tecnologia permite observar mudanças no tecido durante essa fase da vida. O projeto fica no Centro de Inovação da Avon, em Cajamar (SP).
Pesquisadoras utilizam bioimpressão para criar modelos de pele, combinando células humanas cultivadas com colágeno. Os tecidos simulam camadas semelhantes às naturais e ajudam a entender respostas a diferentes condições, com foco na menopausa.
A menopausa ocorre entre 45 e 55 anos, quando a produção hormonal cai. A pele tende a perder colágeno, reter menos água e apresentar ressecamento e menor firmeza. Estudos visam orientar cosméticos mais eficazes para esse grupo.
Como é feita
Células humanas obtidas de doação formam a base. Fibroblastos geram colágeno; queratinócitos compõem a camada externa. As células são cultivadas em incubadoras com controle de temperatura, oxigênio e dióxido de carbono.
Na etapa de bioimpressão, uma biotinta com colágeno e células é depositada em camadas por uma impressora. Primeiro nasce a derme, depois a epiderme; o tecido amadurece em incubadoras por dias.
O resultado é um disco de pele do tamanho de uma lente de contato. Para simular menopausa, reduz-se a concentração de estrogênio no ambiente de cultivo. Em pouco mais de um mês, surgem alterações similares às observadas na pele de mulheres nessa fase.
Aplicações e perspectivas
O tecido bioimpresso serve para testar ingredientes e formulações cosméticas, avaliando segurança e eficácia. Produtos são aplicados na superfície para observar respostas celulares e mudanças genéticas ou proteicas.
As amostras permitem cortes para análises microscópicas e estudo de expressão gênica, buscando compreender o funcionamento da pele sob deficiência hormonal. O uso é voltado à pesquisa de novos ativos voltados à menopausa.
Segundo a Avon, a tecnologia ainda está em fase inicial. A expectativa é de avanços mais práticos nos próximos meses ou anos, com potencial de orientar formulações voltadas a esse público.
Entre na conversa da comunidade