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Percussão rítmica de chimpanzé com tábuas sugere origem de instrumentos

Estudo mostra que Ayumu, chimpanzé, transforma tábuas em instrumentos com ritmo estruturado, apontando pistas sobre a origem da musicalidade

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  • Ayumu, chimpanzé macho de 26 anos e alfa do grupo, no EHUB da Kyoto University, arrancou tábuas do piso e as usou como instrumentos, realizando batidas prolongadas enquanto vocalizava.
  • Ao longo de mais de dois anos, em 37 dias de registro, foram observadas 89 apresentações espontâneas de drumming com ritmo estruturado, não aleatório.
  • As sequências combinaram até quatorze componentes, incluindo uso de ferramentas, arraste de objetos e arremesso, formando padrões que lembram pant-hoot, vocalização dos chimpanzés.
  • Batidas com ferramenta produziram ritmo mais estável do que com mãos ou pés, sugerindo paralelos com estudos humanos sobre o papel dos instrumentos no tempo.
  • Os pesquisadores destacam limitações do estudo, pois é uma única indivíduo, mas planejam analisar as respostas dos outros chimpanzés do grupo para entender a função comunicativa do comportamento.

Ayumu, chimpanzé macho de 26 anos e alfa de seu grupo no Institute for the Evolutionary Origins of Human Behavior (EHUB), em Kyoto, surpreendeu pesquisadores ao transformar tábuas do piso em instrumentos e realizar sequências de batidas acompanhadas de vocalizações.

Durante mais de dois anos, a partir de fevereiro de 2023, a equipe de Yuko Hattori registrou 89 apresentações espontâneas de Ayumu em 37 dias. O estudo foi publicado em uma revista científica internacional.

Os pesquisadores ressaltam que o comportamento de Ayumu não parece aleatório. A cadência das batidas, a organização das ações e a progressão de batida para arrasto e arremesso lembram padrões presentes em chamadas vocais de longas distâncias entre chimpanzés.

Detalhes da conduta e do significado

Ayumu não apenas bate, mas descolou tábuas do piso para usá-las como instrumentos. Em algumas apresentações ele combina até 14 componentes diferentes, incluindo uso de ferramenta, arraste de objetos e arremesso, em sequências que duram minutos.

A análise estatística indicou que as transições entre ações seguem uma ordem repetitiva, com a batida frequentemente antecedendo o arrasto e este, por sua vez, levando ao arremesso. Tais padrões espelham a organização de pant-hoot, vocalizações de chimpanzés.

Contexto e limitações

Os ritmos de Ayumu mantêm tempo com batidas relativamente uniformes, e o uso de ferramentas proporciona batidas mais estáveis do que bater com mãos ou pés. A pesquisadora destaca que a forma de “detachment” é associada a estágios iniciais de fabricação de ferramentas.

A pesquisa envolve apenas um indivíduo, e Ayumu é o líder do grupo com histórico de participação em experimentos cognitivos. Não há registro de outros chimpanzés de EHUB reproduzindo o comportamento de forma consistente.

Perspectivas futuras

A equipe planeja observar como os demais chimpanzés do EHUB respondem às performances de Ayumu, com observações iniciais indicando movimentos de reação ao som e à visão das ações.

O estudo contribui para discussões sobre possíveis caminhos evolutivos da musicalidade, sugerindo que expressões emocionais por meio de objetos podem ter origem em comportamentos de ferramentas. Fontes citam a relevância de acompanhar novas respostas do grupo.

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