- Estudo publicado na revista Science identifica quando o rio Colorado começou a esculpir o Grand Canyon, há cerca de seis milhões e seiscentos mil anos, a partir de uma grande depressão no nordeste do Arizona.
- O lago que se formou a leste do que viria a ser o cânion atingiu largura superior a cento e cinquenta quilômetros e transbordou por um ponto baixo na margem há aproximadamente 5,6 milhões de anos, iniciando o fluxo pelo vale.
- O curso fluvial percorreu bacias a jusante e atingiu o golfo da Califórnia há cerca de 4,8 milhões de anos, desaguando no mar no noroeste do México.
- O Grand Canyon, com extensão de cerca de 450 quilômetros, chega a 30 quilômetros de largura e mais de 1,6 mil metros de profundidade, resultado de cerca de cinco milhões de anos de incisão e erosão.
- Os pesquisadores usaram grãos de zircão em arenito e cinzas de erupções vulcânicas para rastrear o percurso antigo do rio; o estudo contou com a participação de geólogos da Universidade da Califórnia em Los Angeles e do Serviço Geológico dos Estados Unidos.
O estudo identifica quando e como o rio Colorado passou a escoar pela região do Arizona, esculpindo o Grand Canyon ao longo de milhões de anos. A pesquisa, publicada na revista Science, nesta quinta-feira (16), reuniu evidências de sedimentos e cinzas vulcânicas para reconstruir caminhos antigos do rio.
Os autores analisaram grãos microscópicos de zircão em arenito e cinzas vulcânicas para traçar o percurso do rio no passado. O objetivo foi determinar o momento em que o Colorado deixou de serpentear pela região e iniciou a formação do cânion.
O que mudou no entendimento
O estudo aponta que, há cerca de 6,6 milhões de anos, o rio começou a fluir para uma grande depressão no nordeste do Arizona, formando um lago raso a leste do que viria a ser o cânion. A água transbordou há cerca de 5,6 milhões de anos, abrindo o caminho para o canyon.
A partir de bacias a jusante, o fluxo percorreu o que hoje é o Grand Canyon e alcançou o golfo da Califórnia há aproximadamente 4,8 milhões de anos, desembocando no mar no noroeste do México. O lago, com potencial de mais de 150 km de largura, desapareceu há longos períodos, ocupando grande parte da área onde hoje fica a reserva Navajo.
John He, geólogo da Universidade da Califórnia em Los Angeles e coautor, explica que os grãos de zircão guardam informações sobre a origem de cada porção de areia. A datação de cinzas ajudou a fixes os momentos de deposição dos leitos fluviais.
Ryan Crow, do USGS em Flagstaff e coautor, ressalta que o rio existia no oeste do Colorado há 11 milhões de anos, mas só depois de 5,6 milhões de anos começou a percorrer áreas que viriam a se tornar o Grand Canyon. O estudo amplia a compreensão sobre o período intermediário entre esses pontos.
O Grand Canyon tem cerca de 450 quilômetros de extensão, até 30 quilômetros de largura e mais de 1,6 mil metros de profundidade. A pesquisa aponta que, nos últimos 1 milhão de anos, a incisão do rio ocorreu a uma taxa média de 100 a 160 metros por milhão de anos, sustentando que o cânion continua a se formar pela erosão fluvial.
Além das evidências sobre o percurso antigo, os cientistas sugerem que outros mecanismos geológicos também contribuíram para a moldura do canyon, sem indicar conclusões definitivas. A expectativa é que novos dados ajudem a entender melhor a timeline da formação.
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