- A FDA flexibilizou, em nova leitura sobre estrogênio e progesterona, o aviso de risco da terapia hormonal na menopausa, o que tem levado alguns profissionais a ampliar a prescrição de testosterona para mulheres sem respaldo claro.
- Especialistas alertam que a testosterona não faz parte do tratamento padrão da menopausa e pode trazer riscos à saúde, como alterações de colesterol, hipertensão, arritmias e ganho de pelos.
- A indicação de testosterona é restrita ao transtorno do desejo sexual hipoativo, após avaliação de outras causas e normalmente em mulheres já em uso de estrogênio.
- Mesmo assim, há uso off label difundido por alguns profissionais, com promessas de mais energia e melhorias estéticas, sem comprovação científica ou respaldo de diretrizes.
- Entidades médicas destacam que a discussão relevante não é a revisão regulatória em si, e sim a forma como a informação está sendo utilizada, sob risco de reduzir a medicina baseada em evidências.
O que aconteceu: a revisão recente da FDA sobre o uso de estrogênio e progesterona na terapia hormonal da menopausa abriu espaço para reavaliações de risco em determinadas formulações. Especialistas destacam que esse movimento não implica aprovação para uso de testosterona em mulheres, mas tem sido usado para ampliar prescrições desse hormônio sem respaldo claro.
Quem está envolvido: endocrinologistas, ĝuias profissionais e sociedades médicas monitoram os desdobramentos. A campanha “Bomba tô fora” e líderes da SBEM, Febrasgo e SBC reforçam cautela. Médicos alertam para o uso inadequado da testosterona fora das indicações reconhecidas.
Quando e onde ocorreu: a discussão ganhou relevância com a flexibilização regulatória da FDA, aplicável a tratamentos nos EUA. No Brasil, especialistas ressaltam que a indicação de testosterona permanece restrita a situações específicas e não integra o tratamento padrão da menopausa.
Por que houve preocupação: a testosterona pode provocar efeitos adversos sérios, como alterações de colesterol, hipertensão, arritmias e impactos no metabolismo. Em doses elevadas, há risco de alterações hepáticas e mudanças físicas como voz grave e aumento de pelos.
Como funciona a terapia hormonal da menopausa: o eixo central é a reposição de estrogênio, que reduz ondas de calor, insônia e perda óssea. A progesterona pode ser indicada para proteger o endométrio em mulheres com útero. A decisão é individualizada conforme idade, tempo de menopausa e risco-benefício.
Indicação da testosterona: a única indicação sólida envolve desejo sexual hipoativo, após diversas causas serem descartadas. Mesmo assim, a decisão depende do uso prévio de estrogênio e da avaliação clínica detalhada. Pacientes devem receber explicação sobre riscos e benefícios.
Uso indiscriminado e promessas não comprovadas: alguns profissionais têm recomendado testosterona com promessas de mais energia, emagrecimento e melhoria estética, sem evidência robusta ou diretrizes de referência. Entidades lembram que a dosagem em mulheres não tem indicação formal.
Notas de orientação: em dezembro de 2025, SBEM, Febrasgo e SBC emitiram nota conjunta dizendo que não há indicação para dosar testosterona em mulheres. A dose não é recomendada sem diagnóstico clínico claro e acompanhamento rigoroso.
Conclusões médicas: especialistas destacam que a terapia hormonal da menopausa não é licença para uso indiscriminado de hormônios. Quando bem indicada, com estrogênio adequado, a qualidade de vida pode melhorar, sem recorrer a promessas não comprovadas.
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