- Dois estudos mostram que a Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico (AMOC) está enfraquecendo e pode colapsar mais rápido do que se pensava.
- O estudo mais recente, publicado na Science Advances, combina modelos climáticos e dados reais para indicar queda da AMOC em mais de cinquenta por cento até o fim deste século, superando as estimativas de muitos modelos.
- Pesquisas sugerem que, se a AMOC colapsar, o impacto seria profundo: invernos rigorosos na Europa, elevação do nível do mar na costa leste dos Estados Unidos e secas prolongadas em uma faixa da África.
- Dados de quatro amarras na fronteira oeste do Atlântico Norte mostram enfraquecimento da AMOC em diferentes latitudes nas últimas duas décadas, validando previsões dos modelos.
- Especialistas alertam que o declínio já ocorre e pode ser ainda pior que as projeções atuais, pois a água de degelo da Groenlândia não está incluida nos modelos.
A circulação meridional de revolvimento do Atlântico, conhecida como AMOC, volta a preocupar especialistas ao sinalizar enfraquecimento expressivo. Dois estudos recentes indicam que o sistema de correntes pode estar mais próximo de um colapso do que se pensava, com possíveis impactos no clima mundial. O trabalho une modelos climáticos e dados observacionais para projetar o futuro da AMOC.
A AMOC funciona como uma vasta correia transportadora de calor, sal e água doce pelo Atlântico. Ela influencia padrões climáticos, condições meteorológicas e o nível do mar em várias regiões. A prioridade de pesquisa é entender como o aquecimento global pode alterar esse equilíbrio salino e térmico.
Os estudos não apontam apenas para o futuro, mas também para o presente. Dados de quatro pontos da fronteira oeste do Atlântico Norte, coletados desde 2004, mostram um enfraquecimento da AMOC ao longo de duas décadas. Observação consistentes em diferentes latitudes reforçam a percepção de tendência real.
O estudo publicado na Science Advances usa modelos climáticos combinados com medições reais de temperatura e salinidade para projetar cenários até o final deste século. Segundo os autores, a AMOC tende a desacelerar em mais de 50% e já supera estimativas médias de muitos modelos.
Especialistas ressaltam que as projeções pessimistas, embora não consensuais, parecem mais realistas diante dos dados atuais. O pesquisador Stefan Rahmstorf, da Universidade de Potsdam, destacou que o declínio pode ocorrer com maior intensidade do previsto por muitos modelos.
Ainda assim, há incertezas sobre o alcance exato do colapso. Um ponto de inflexão, se alcançado, tornaria a recuperação improvável. A água do degelo da Groenlândia não está plenamente incluída em alguns modelos, o que pode subestimar o impacto.
Outro estudo recente, da Universidade de Miami, reforça o caminho observacional. Os quatro locais de monitoramento registraram queda na força da AMOC, corroborando as previsões de enfraquecimento. Os pesquisadores destacam que a fronteira oeste funciona como um indicativo crucial.
Os pesquisadores ressaltam que o enfraquecimento já ocorre de forma difundida e pode ter consequências regionais, como alterações de padrões de chuva e elevação do nível do mar em áreas costeiras. A combinação de dados atuais com projeções futuras reforça a preocupação global.
René van Westen, da Universidade de Utrecht, destaca que os resultados observacionais sustentam a hipótese de que a AMOC está se movendo em direção a um ponto de inflexão. Embora haja incertezas, o conjunto de evidências aponta para um risco crescente de ruptura do sistema.
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