- Bactérias encontradas na caverna Lechuguilla, a 489 metros de profundidade no Novo México, apresentam resistência a praticamente todos os antibióticos usados na medicina.
- Pesquisadores descobriram que essas bactérias resistem há milhões de anos, sem contato humano, sugerindo que a resistência é parte da história natural dos microrganismos.
- Estudos indicam que a resistência antimicrobiana é responsável por milhões de mortes e deve chegar a dezenas de milhões entre 2025 e 2050, impulsionada pelo uso de antibióticos.
- Em 2006, pesquisadores já haviam encontrado genes de resistência em bactérias do solo, o que mostrou que a resistência não é exclusiva de patógenos; a caverna de Lechuguilla reforça a ideia de que a resistência existe em ambientes isolados.
- Pesquisadores buscam usar esse conhecimento para desenvolver novos tratamentos e prever como as bactérias poderão evoluir resistência a novas classes de antibióticos, além de explorar micróbios de cavernas como fontes de compostos antimicrobianos.
Nas cavernas profundas do deserto de Chihuahua, nos EUA, cientistas estudam bactérias resistentes a antibióticos para entender novas estratégias terapêuticas. A caverna Lechuguilla abriga microrganismos isolados por milhões de anos, sem contato com humanos até 1986.
A pesquisa revela que essas bactérias desenvolveram mecanismos de defesa que tornam antibióticos naturais menos eficazes. O estudo usa amostras retiradas de camadas calcárias e rocha para mapear genes de resistência presentes nesse ambiente extremo.
A equipe observa que a resistência é antiga e pode ter origem natural, não apenas resultado do uso humano de antibióticos. Os microrganismos da caverna produzem diversos compostos antimicrobianos, abertos a novas descobertas terapêuticas.
Lecho de pesquisa: Lechuguilla e o isolamento evolutivo
Lechuguilla tem 240 km de extensão e fica a 489 metros de profundidade. A caverna é desprovida de luz e alimento, exigindo adaptações extraordinárias para a sobrevivência. A entrada é difícil de acessar, o que dificulta visitas de campo.
Biólogos ressaltam que a diversidade microbiana encontrada ali oferece uma visão sobre a história evolutiva dos microrganismos. Em ambientes assim, predadores, parasitas e cooperadores coexistem, moldando estratégias de sobrevivência.
Alguns micróbios da caverna exibem resistência a 26 dos 40 antibióticos testados, incluindo substâncias de uso clínico recente. Sequenciamentos de genomas identificam genes conhecidos de resistência, além de novos genes inéditos.
Implicações e perspectivas
Pesquisadores defendem que a resistência antimicrobiana é parte da história natural dos microrganismos. Entender os mecanismos pode orientar o design de novas moléculas farmacológicas capazes de contornar defesas bacterianas.
Outra linha de trabalho envolve observar como bactérias produzem antibióticos, às vezes em grande diversidade de compostos. Em alguns casos, esses ambientes isolados geram potenciais candidatos a novos fármacos.
A pesquisadora Ann Cheeptham coordena estudos em cavernas canadenses, mapeando microrganismos produtores de antibióticos contra patógenos multirresistentes. Contudo, falta financiamento para avanços clínicos e parcerias com a indústria.
A equipe aponta, ainda, para aplicações práticas: entender os mecanismos de resistência pode ajudar a prever a resistência futura a novas classes de antibióticos e orientar estratégias de preservação.
Fonte: BBC Health.
Entre na conversa da comunidade