- Estudo com dados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2019 mostrou que violência sexual está associada a maior risco de infarto e arritmias em mulheres.
- A análise cruzou violência sexual com doenças cardíacas, ajustando por idade, cor da pele, orientação sexual, escolaridade e região de habitação.
- Subnotificação dificulta a interpretação: 8,61% das mulheres relataram violência sexual ao longo da vida, contra 2,1% dos homens.
- Fatores biológicos e comportamentais, como ansiedade, depressão, tabagismo e sedentarismo, podem contribuir para o aumento do risco cardiovascular.
- Pesquisador afirma que intervenções em fatores de vida modificáveis podem reduzir a incidência de doenças cardíacas relacionadas à violência.
O estudo ligou violência sexual a maiores riscos de problemas cardíacos entre mulheres. Os dados vieram da Pesquisa Nacional de Saúde, divulgada pelo IBGE em 2019, e foram analisados por pesquisadores da UFC, sob a coordenação de Eduardo Paixão.
A pesquisa cruzou violência sexual com doenças cardíacas, aplicando ferramentas estatísticas para controlar idade, cor da pele, orientação sexual, escolaridade e região. O objetivo foi verificar se a violência é associada a infartos, arritmias e outros transtornos.
Segundo Paixão, é comum associar apenas a saúde mental à violência, mas o trauma pode afetar várias áreas. O grupo sugere que o estresse resultante eleva inflamação e alteraria pressão arterial e frequência cardíaca.
O estudo aponta que a violência aumenta a probabilidade de comportamentos de risco, como tabagismo, uso de álcool e sedentarismo, que, somados, elevam o risco cardiovascular ao longo da vida.
Uma observação importante é a subnotificação da violência sexual no Brasil. Em mulheres, 8,61% relataram já ter passado por algum ato, contra 2,1% entre homens, segundo a PNS de 2019.
Paixão ressalta que a subnotificação é maior entre homens, o que pode explicar a ausência de relação observada nesses casos. A falta de reconhecimento dos episódios dificulta a avaliação completa.
Para o pesquisador, a principal contribuição é evidenciar um fator de risco que requer atenção de profissionais de saúde. Intervir em hábitos de vida modificáveis pode reduzir o impacto das ocorrências.
O estudo reforça a necessidade de ações de saúde pública voltadas para prevenção e apoio a vítimas, com foco tanto na saúde mental quanto no funcionamento cardiovascular.
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