- O guia The Sound Approach to Birding 2 aponta sub-representação de cantos femininos e traz 300 sons de 200 espécies, acessíveis por web ou app.
- Estudo mostra que, em 2016, apenas 0,01% dos sons de aves no Xeno-Canto eram rotulados como femininos; outra biblioteca de sons tinha 0,03% de mulheres.
- O livro defende que as fêmeas cantam para defesa de território, afastar outras fêmeas e atrair parceiros, desafiando a ideia de que apenas os machos cantam.
- Exemplos citados mostram que fêmeas podem ter repertórios próprios: alpinista-do-altiplano, mocho-do-césar e outras espécies com cantos elaborados; até espécies como o mocho-das-taubas apresentam cantos inusitados entre sexos.
- Casos específicos: ganso-vira-água feminino canta, andam publicações sobre galochas tadre; puxa que fêmeas em jardins costumam cantar em períodos de inverno; as fêmeas também influenciam as mudanças de estilo vocal dos machos.
O livro The Sound Approach to Birding 2 inicia uma revisão sobre a representação das aves fêmeas nos guias de campo e acervos sonoros. Ele propõe que o canto feminino é comum e relevante, desafiando a ideia de que apenas os machos cantam para demarcar território ou atrair parceiras.
Os autores destacam que, historicamente, vozes femininas foram pouco registradas. Em 2016, apenas 0,01% dos sons de aves na biblioteca Xeno-Canto estavam rotulados como feminino, e outro arquivo trazia apenas 0,03% de registros de fêmeas, segundo estudo de 2018.
O livro traz uma biblioteca própria com 300 sons de 200 espécies, acessível por web ou app. Esses sons vêm do Sound Approach, projeto iniciado em 2000, com gravações de fêmeas em 41% das espécies do Ocidente Paleárctico, região que abrange Europa, norte da África e parte do Oriente Médio.
Mudanças na percepção
A pesquisadora Lucy McRobert afirma que a ideia de que machos cantam sozinhos para competir é simplista. Ela aponta que fêmeas também cantam para exibir território, afastar demais fêmeas e, em algumas espécies, para atrair machos adicionais. Em várias espécies, o repertório feminino é amplo.
Coletivos de biólogos e gravadores ajudam a desmontar preconceitos herdados de guias de décadas passadas. Jasmine Donahaye cita ilustrações que frequentemente mostram fêmeas em posição inferior aos machos, o que reforça a ideia de subalternidade e nega a presença feminina na canção.
Entre os exemplos, o livro descreve o canto das alpinas ( Alpine accentor): fêmeas cantam sozinhas e atraem companheiros com uma canção elaborada, ajudando na reprodução. Também revela que aves como o mocho-dourado podem apresentar vozes equivalentes entre machos e fêmeas, em determinadas situações.
Casos e implicações
Para o mocho-das-toupeiras, o popular imaginário de que o chamado masculino domina não condiz com a prática observada em gravações, que mostram a coexistência de cantos de ambos os sexos. Em alguns casos, a chamada clássica da coruja-dina (tu-whit, to-whoo) não distingue sexo, havendo variações entre machos e fêmeas.
Os autores destacam ainda que o canto feminino pode influenciar a evolução das canções de pássaros machos, com evidência de que aves que adotam estilos mais recentes tendem a obter melhores territórios e parceiros. A ideia é de que as fêmeas exercem papel ativo na orquestração do canto.
Donahaye ressalta que o reconhecimento da歌 feminina pode impulsionar novas pesquisas sobre comportamento de aves, abrindo custos e caminhos para entender melhor a comunicação entre indivíduos. A obra enfatiza a necessidade de observar além do machismo histórico na ornitologia de campo.
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