- A maior cachoeira do mundo fica no fundo do oceano, no Estreito da Dinamarca, entre Islândia e Groenlândia, no Atlântico Norte.
- Ela tem mais de três quilômetros de altura e transporta mais de três milhões de metros cúbicos de água por segundo.
- A expedição FAR-DWO, liderada pela Universidade de Barcelona, estudou o fenômeno entre julho e agosto de 2023 e envolveu investigadores de várias instituições europeias.
- A formação ocorre pela água fria, mais densa, descendo sob a água quente ao longo do relevo do fundo do mar, gerando a cascata submersa com cerca de cento e sessenta quilômetros de largura.
- Cientistas da NOAA ressaltam que o fenómeno é influenciado pelo encontro de águas frias e quentes no mar de Irminger, e que o aquecimento global pode prejudicar esse tipo de cachoeira submarina.
O que parece uma cachoeira impressionante na superfície é, na verdade, uma queda d’água submersa situada no Estreito da Dinamarca, entre Islândia e Groenlândia. Cientistas registraram o fenômeno pela primeira vez durante uma expedição de 2023, que revelou uma gigantesca corrente de água no fundo do Atlântico Norte.
A obra de engenharia natural resulta do encontro entre águas frias, densas, e águas quentes, menos densas. Ao descer, a água fria segue para o interior do oceano, impulsionada pela topografia acidentada do estreito e por quedas de profundidade que passam de 500 metros a mais de 3 mil metros.
Contexto do fenômeno
Os investigadores estimam que a cachoeira submarina tem mais de três mil metros de altura e desloca volume superior a três milhões de metros cúbicos de água por segundo. A largura alcança cerca de 160 quilômetros, tornando-a a maior cachoeira do mundo.
Segundo dados da NOAA, o fluxo é alimentado pela confluência de massas de água frio e quente no mar de Irminger. A densidade maior da água fria empurra o fluxo para baixo, gerando a cascata no interior do oceano.
Expedição e impactos
A equipe liderada pela Universidade de Barcelona participou da campanha a bordo do navio oceanográfico Sarmiento de Gamboa, entre julho e agosto de 2023. O objetivo foi avaliar como esse fluxo acelera o transporte de sedimentos e pode alterar o relevo marinho local.
Entre os pesquisadores, destacam-se David Amblàs e Anna Sanchez-Vidal. O estudo também aborda os efeitos de longo alcance dos densos transbordamentos de água no Atlântico Norte, conforme o relatório da expedição.
Observações sobre o clima
Os cientistas ressaltam que o aquecimento global tende a reduzir a formação de gelo marinho e, com isso, a quantidade de água gelada que sustenta esse processo oceânico. A mudança climática pode, portanto, reduzir a intensidade de fenômenos semelhantes no futuro.
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