- Em 2025 ocorreu o primeiro Desafio Coller Dolittle, com premiações para pesquisas sobre como se comunicar com animais; uma equipe americana ganhou ao mostrar que certos assobios de golfinhos podem ter função semelhante a palavras humanas.
- A tecnologia de inteligência artificial tem ampliado a compreensão da comunicação animal, incluindo sons inaudíveis para humanos, como ultrassons de morcegos.
- Cientistas usam bancos de dados de elefantes (idade, sexo, comportamento e estado emocional) para treinar IA que interpreta vocalizações em tempo real.
- A IA pode ajudar a prever deslocamentos de elefantes para aldeias e plantarções, identificando padrões vocais que sinalizem estresse ou estímulos fortes, mas ainda depende de validação humana.
- Pesquisadores apontam aplicações da IA para identificar espécies de morcegos e decodificar cliques de baleias cachalotes, com o objetivo de criar um tradutor, embora o foco atual seja ouvir as vozes dos animais, não falar com eles.
Em 2025 ocorreu o primeiro Desafio Coller Dolittle, com recompensas para pesquisas sobre se comunicar com animais. Uma equipe americana venceu ao mostrar que certos assobios de golfinhos podem ter função parecida com palavras humanas.
A tecnologia de IA amplia a compreensão da comunicação animal. Microfones detectam sons inaudíveis, como ultrassons de morcegos, e infrassons de elefantes, ampliando o que os humanos conseguem ouvir.
A pesquisadora Kate Jones, de Londres, explica que sons acima do ouvido humano ajudam a entender estados como preocupação ou acasalamento. A IA pode expandir a percepção da natureza, segundo ela.
Novos sons
Estudos combinam dados de áudio com IA para interpretar padrões. Em elefantes, o banco de dados de comportamento e emoção é usado para treinar algoritmos a reconhecer sinais vocais.
O pesquisador Alastair Pickering, de Londres, diz que a IA pode processar vocalizações em tempo real, facilitando previsões sobre deslocamentos de elefantes para áreas habitadas.
A ferramenta ainda depende de supervisão humana para filtrar ruídos não relevantes, como sons de tucanos. O objetivo é evitar associações equivocadas entre sons distintos.
Tradutor de animais
A IA também pode ajudar a identificar espécies de morcegos por seus chamados, segundo Jones. O software seria treinado para reconhecer padrões vocais.
David Gruber, da Universidade de Nova York, participa da iniciativa Ceti, que busca ouvir baleias cachalotes com IA. O foco é interpretar a estrutura dos cliques emitidos.
Para Gruber, o objetivo é criar tradutores que permitam entender sistemas de comunicação diferentes, abrindo caminho para novas ferramentas observacionais.
Aprender ‘golfinhês’
O grupo vencedor do Desafio Coller Dolittle envolve pesquisadores que estudam cliques de baleias e assobios de golfinhos. A ideia é avançar na compreensão de possíveis formas de diálogo.
Vincent Janik, da Universidade de St Andrews, alerta para limites tecnológicos. Mesmo com progressos, a comunicação entre espécies exige considerar distintas percepções sensoriais e biológicas.
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